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Embrapa lança programa de biofortificação no estado de Mato Grosso
Nessa semana, durante os dias 19 e 20 de abril, o estado de Mato Grosso contou com o lançamento oficial do programa de biofortificação brasileiro coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que, por meio de uma parceria com a Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), foi possível levar as atividades envolvendo transferência de tecnologia com variedades biofortificadas para o Mato Grosso. O presidente da Empaer, Layr Mota da Silva classificou a biofortificação como um tema especial e de prioridade para a extensão no estado. “Todos têm a ganhar com isso, sejam produtores ou pesquisadores. A partir do novo modelo de gestão adotado pela empresa, tendo a ATER trabalhando junto com a pesquisa, nós queremos vencer os desafios e poder transferir da melhor forma possível essa tecnologia, que terá o nosso foco daqui em diante.” Concluiu o presidente.

No dia 19/04, houve a realização do Seminário sobre Produtos Biofortificados, onde pôde ser esclarecido assuntos que giram em torno da biofortificação, como melhoramento convencional, produtividade das culturas, insegurança nutricional, merenda escolar, alimentação infantil e outros. As palestras foram ministradas pelo pesquisador José Luiz Viana de Carvalho (Embrapa Agroindústria de Alimentos), pelo professor Roberto Martinez (Universidade do Estado de Mato Grosso/Unemat) e pela nutricionista Luana Tenório (Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso). “A biofortificação é uma técnica de melhoramento genético convencional capaz de gerar cultivares mais nutritivos. No Brasil, a unificação dos projetos científicos com alimentos biofortificados, sob coordenadoria da Embrapa, atende pelo nome de Rede BioFORT, que além do incentivo federal, recebe suporte financeiro de programas internacionais como o HarvestPlus. O diferencial está na maior biodisponibilidade de nutrientes como ferro, zinco e provitamina A que essas cultivares possuem quando melhoradas, fortalecendo dessa forma nosso combate contra a deficiência nutricional, a popular fome oculta. O modos operandi brasileiro evidencia nossa escolha em não trabalhar com métodos de transgenia, aproveitando nossa biodiversidade.” Explica o pesquisador.

O dia seguinte (20/04) transcorreu com uma atividade de campo, onde alunos da Unemat visitaram o Campo Experimental da Empaer, em Tangará da Serra, para poderem conhecer melhor a temática de biofortificação e já se prepararem para futuros trabalhos acadêmicos dentro desse contexto. Os estudantes andaram pelas estações de cultivos biofortificados de feijão-caupi (BRS Xiquexique), milho (BRS 4104) e feijão (BRS Sublime e BRS Cometa).

A pesquisadora da Empaer, Marilene Alves foi a principal articuladora para a assinatura do convênio com a Embrapa, demonstrando com suas iniciativas uma grande expectativa com a biofortificação na agricultura familiar do estado. “Há ainda a possibilidade de uma parceria com o governo do estado que é também muito promissora, visto que nossa intenção é trabalhar para que a biofortificação vire uma política pública no Mato Grosso.” Afirma a pesquisadora.

Logo depois da oficialização da parceria com a Embrapa, material biofortificado foi enviado para a preparação de unidades demonstrativas nas estações experimentais da Empaer e ainda foi possível direcionar uma pequena porção dessas variedades ao produtor rural, Adão Ramos de Souza, morador do município de Poconé, que se tornou o escolhido para poder montar uma primeira unidade de observação das culturas melhoradas. “O que falta aqui na região é novidade e uma maior produção, os agricultores estão sem atrativos e o mercado acaba tendo que importar, por exemplo, feijão de outros estados. Eu e meus vizinhos aqui do assentamento não damos desculpas para não trabalhar, por isso a chegada dos biofortificados entusiasmou a todos nós e tem tudo para ser um sucesso.”

Mais sobre a Rede BioFORT

A Rede BioFORT é coordenada pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), congrega todos os projetos de biofortificação de alimentos no Brasil. Procurando dessa forma promover periodicamente o intercâmbio de conhecimento entre seus líderes e colaboradores. O principal objetivo é garantir uma maior segurança alimentar através do aumento dos teores de ferro, zinco e vitamina A na dieta da população mais carente, combatendo assim a fome oculta. A essência está em enriquecer alimentos que já fazem parte da dieta da população para que esta possa ter acesso a produtos mais nutritivos e que não exijam mudanças de seus hábitos de consumo. O Brasil é o único no mundo a trabalhar com oito cultivos: batata-doce, abóbora, arroz, feijão, trigo, milho, mandioca e feijão-caupi. A Rede BioFORT não trabalha com alimentos transgênicos.

Mais sobre o HarvestPlus

O HarvestPlus age em escala global para melhorar a segurança nutricional, através do desenvolvimento e implantação de produtos alimentares básicos ricos em vitaminas e minerais. Trabalhando com diversos parceiros em mais de 40 países, o HarvestPlus é parte do Programa de Pesquisa em Agricultura (CGIAR) para a Nutrição e Saúde (A4NH). O CGIAR é uma parceria em pesquisa agrícola global com o objetivo de assegurar um futuro sustentável em alimentos. Sua ciência é realizada por seus 15 centros de pesquisa em colaboração com centenas de organizações parceiras. O programa HarvestPlus é coordenado por dois desses centros: o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI).

Embrapa Agroindústria de Alimentos

Data: 22-04-2016
Fonte: Embrapa
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