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Mudança cultural coletiva: o pré-requisito da inovação no Brasil

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Mas, a vontade de reorganização, a implantação de condições favoráveis e a disponibilização de recursos não são suficientes para garantir determinada mudança. Em casos que envolvem riscos, é preciso também a coragem, entendida como a habilidade de enfrentar a incerteza. Como se sabe, a inovação é um processo incerto. Uma iniciativa nova pode ter sucesso ou não. Segundo a PINTEC - Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica 2005, realizada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o processo de inovação no Brasil apresenta excessivos riscos econômicos que são poderosos obstáculos a seu sucesso.

A decisão de inovar exige que todos os envolvidos no processo de inovação estejam prontos para enfrentar os novos desafios e dispostos a mudar seu comportamento. A coragem de inovar no Brasil supõe a redução significativa da aversão ao risco e é diretamente relacionada à dimensão cultural do sistema de inovação.

A cultura, definida como conjunto de valores inspiradores de atitudes, comportamentos, aspirações e modos de relação, é o aspecto do sistema nacional de inovação menos visível e menos palpável mas também mais estável. Pode estimular ou impedir a substituição de formas antigas por formas novas de produção e consumo.

A mudança cultural influi sobre o entusiasmo e a ajuda mútua no âmbito do sistema nacional de inovação. Por exemplo, os atores do sistema precisam saber que a competição não exclui automaticamente a cooperação que, aliada à inovação, forma um casal inseparável.

Nesse sentido, a mudança cultural é um indispensável pré-requisito da inovação no Brasil. Ela deve ser considerada dentro de uma abordagem que leve em conta todos os atores da cadeia referente a um produto ou serviço, desde a organização de pesquisa até o usuário final passando notadamente pelo governo, pela entidade de fomento e pela empresa de produção. Alterações na atuação do governo, da entidade de fomento ou de qualquer outro ator podem, por exemplo, interferir na estratégia produtiva da empresa. Modificações nos programas da universidade podem facilitar a formação de estudantes capazes de perceber as oportunidades de trabalho e gerar riqueza com o conhecimento. Por isso, a mudança cultural deve ser coletiva e não isolada.

Como a cultura é adaptativa e cumulativa, a mudança cultural pode levar vários anos para se instalar. A atuação de cada ator do sistema nacional de inovação é decisiva na ocorrência de tal instalação. Mesmo assim, o governo, em razão de suas funções de regulação e negociação na sociedade, pode ter um papel essencial na promoção e coordenação da mudança cultural. O cuidado fundamental é que os mecanismos necessários devem ser concebidos e implementados com a participação ativa de todos os atores do sistema brasileiro de inovação.

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Andre Yves CribbEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CTAA

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