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Aspectos ecológicos e culturais da pescaria de anzol

20/08/2007

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Com a reabertura da pesca após o período de defeso, é oportuno tecer algumas considerações sobre os fenômenos biológicos e culturais relacionados à pesca de anzol, haja vista que este é o único aparelho de captura permitido atualmente no Pantanal para a pesca profissional-artesanal, amadora e de subsistência. Aos pescadores profissionais é ainda facultado utilizar uma pequena tarrafa para a captura de iscas.

Os aparelhos de pesca geralmente são classificados em duas categorias: aparelhos passivos, que são fixos ou estacionários, tais como anzol, espinhel, rede de emalhar e armadilha, e aparelhos ativos, que são móveis como as redes de deriva (rede de lance) e de arrasto e tarrafas. A captura com os aparelhos passivos depende do comportamento ativo dos peixes em relação ao aparelho, o que, no caso do anzol, é induzido e reforçado pelos odores desprendidos pela isca. Ao contrário, nos aparelhos ativos, os peixes são capturados pelo movimento do aparelho, praticamente à revelia de seu comportamento. Assim, o rendimento da pesca de anzol depende da interação entre (I) a disponibilidade de peixes no ambiente, (II) a vulnerabilidade dos peixes à pesca e (III) ao conjunto de decisões dos pescadores.

A disponibilidade de cada espécie de peixe está relacionada à sua abundância e distribuição no ambiente. A abundância, por sua vez, é função da capacidade suporte do ambiente, que corresponde ao tamanho máximo em número de indivíduos de uma população que o ambiente comporta, determinado pela quantidade de recursos disponíveis e pela demanda de cada indivíduo dessa população. A capacidade suporte, para cada espécie, está relacionada à sua estratégia de vida, a qual engloba os seguintes aspectos:

- nível trófico, ou seja, a posição da espécie na cadeia alimentar definida pelo seu tipo de alimentação, de modo que as espécies herbívoras são mais abundantes do que os seus predadores (carnívoros de primeiro nível) e estes são mais abundantes do que os seus respectivos predadores (carnívoros de segundo nível) e assim por diante;

- tipo de reprodução e fecundidade, isto é, espécies que cuidam da prole, como os acarás (família Cichlidae), realizam mais de uma postura anual e apresentam menor fecundidade do que as espécies de piracema, como os curimbatás (Prochilodus lineatus), que não cuidam da prole e investem numa única e maciça reprodução anual, produzindo um número extraordinário de óvulos;

- taxa de crescimento corporal, que varia com o tamanho das espécies, sendo que as de pequeno porte crescem mais rapidamente do que as de grande porte. Porém estas últimas apresentam maior longevidade do que as primeiras;

- tamanho máximo, isto é, há uma grande variação no tamanho que os exemplares adultos das diferentes espécies podem atingir, sendo que as maiores são menos abundantes do que as menores; e

- mortalidade natural, ou seja, as espécies de pequeno porte geralmente apresentam taxa de mortalidade natural muito alta, razão pela qual elas suportam uma elevada pressão de pesca, pois esta ocasiona uma mortalidade adicional por pesca muito pequena, se comparada à sua mortalidade natural, ocorrendo um mecanismo oposto com as espécies de grande porte.

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Agostinho Carlos CatellaEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAP

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