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Cobertura Verde na Lavoura Cafeeira

17/09/2006

:. Do mesmo autor
Execução de Desbrota e Poda do Cafeeiro

Consorciação de Cultivos na Lavoura Cafeeira

Cobertura Morta na Lavoura de Café

Na aplicação das práticas de controle de pragas, doenças e plantas daninhas do café, têm-se induzido muitas das vezes ao consumo excessivo de defensivos agrícolas, provocando desequilíbrio nos cafeeiros, aumentando os custos de produção e causando prejuízos ao meio ambiente. O controle das plantas daninhas ou plantas infestantes exige atenção o ano inteiro, tanto na época chuvosa como seca, se destacando por exercer influências direta na rentabilidade da cultura, interferindo no nível de produção e afetando seu custo anual.

Considera-se adequada a aplicação do manejo integrado dessas infestantes, cuja utilização combinada, sucessiva e rotativa de diversos métodos de controle, proporcionam maior eficiência de ação, melhores benefícios ao solo e a cultura. Estudos são constantes para aprimorar técnicas e recursos alternativos de controle das plantas daninhas, como exemplos das práticas de cobertura viva e morta do solo, que podem além de contribuir com a função específica de controle, melhorar também as condições da lavoura.

A cobertura viva ou cobertura verde na lavoura de café, tem a finalidade de realizar a proteção do solo e favorecer a cultura, considerando em sua adoção aspectos agronômicos, econômicos e ecológicos do sistema de produção. Dentre estes recursos fazem parte o plantio de culturas intercalares, utilização de adubos verdes, consorciação de cultivos perenes e pousio das plantas daninhas.

As plantas de cobertura podem proporcionar vantagens como fixação simbiótica de nitrogênio, controle de processo erosivo, aumento da estabilidade da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes extraídos e redução da infestação de plantas daninhas, devendo-se atentar para desvantagens como disseminação de certas pragas e doenças, concorrência por água e nutrientes com a cultura e efeitos negativos sobre o desenvolvimento e produção da cultura devido a execução de manejo inadequado.

Como culturas intercalares mais plantadas na lavoura de café, destacam-se o arroz, o feijão, o milho, a soja e o amendoim. Quanto ao número de linhas da cultura intercalar, depende basicamente da espécie a ser introduzida e do espaçamento do cafezal, devendo ficar uma faixa livre de plantio com largura de meio metro além da projeção da copa do café em cada lado de suas linhas.

Na utilização dos adubos verdes, as leguminosas tem sido as mais indicadas, podendo como exemplo serem plantadas nas entrelinhas da lavoura de café a mucuna-anã (Stizolobium sp), o labe-labe (Dolichos lablab), a crotalaria (Crotalaria spectabilis), o amendoim forrageiro (Arachis pintoi), a pueraria (Pueraria phaseoloides) e o desmodio (Desmodium ovalifolium). Nesta intercalação de leguminosas a atenção maior deve ser dada para o controle do seu estabelecimento, mantendo seu crescimento no máximo até a projeção da copa dos cafeeiros para evitar competição, principalmente em lavouras com desequilíbrio nutricional.

No sul de Minas Gerais, numa avaliação dos efeitos da cobertura do solo de lavoura de café em formação, observou-se que a cobertura verde de Arachis pintoi nas entrelinhas, formou uma vegetação rasteira e densa, impedindo o desenvolvimento de plantas daninhas, causando economia na prática de capina e maior proteção ao solo no controle da erosão. Esta experiência está sendo verificada também no cerrado mineiro com visualização desses benefícios, merecendo maiores estudos em razão da baixa potencialidade natural do solo.

A consorciação de cultivos perenes com a cultura do café é realizada com a participação de uma ou mais espécies, geralmente de ciclo curto ou perene, numa combinação provisória ou permanente, considerando seus atributos morfológicos, interações eco-fisiológicas e sistemas de manejo. Diversas espécies perenes são encontradas consorciadas com a cultura do café em todas regiões produtoras do país, como as espécies florestais pinus, freijó, bracatinga e bandarra, as espécies frutíferas mamão, banana, coqueiro e macadâmia e as espécies industriais seringueira, cacau, pupunha e castanha.

No estabelecimento geral das culturas, observa-se que em monocultivos sobram mais espaços e recursos para exploração, o que facilita maior ocupação das plantas daninhas, ao passo que, nos sistemas consorciados esta ocupação é muito reduzida, devido a área se encontrar intensamente ocupada por arranjos de diversas espécies cultivadas, exercendo maior pressão de controle sobre a infestação das plantas daninhas.

Quanto ao pousio das plantas daninhas, esta prática é muito realizada em cafezais espaçados e mecanizados, principalmente em lavouras novas, que através de uso da roçadeira ou trincha, se mantém as plantas daninhas vegetando com porte mais elevado e com controle programado, evitando que haja maior disseminação e contribuindo para deposição de uma boa camada de resíduos no solo.

A prática de se manter a cultura totalmente livre de infestante é impossível e indesejável por causar efeitos maléficos à vida biológica do solo, à fitossanidade das plantas e à conservação do solo, requerendo que seja mantida uma certa densidade de plantas daninhas, possibilitando uma melhor coexistência com a cultura num equilíbrio desejável de interferências entre ambas. Pode-se destacar como vantagem na manutenção controlada dessa vegetação nas entrelinhas do cafezal, a preservação do habitat de alguns inimigos naturais das pragas do café, principalmente do bicho-mineiro (Perileucoptera coffeella), colaborando com a realização do controle biológico e diminuindo a aplicação de defensivos agrícolas.

Embora com o aparecimento de implementos, produtos e técnicas modernas, os herbicidas ainda tem sido utilizados de maneira excessiva, causando impactos aos recursos ambientais. Isto tem provocado reações de mercados e da sociedade sobre estas conseqüências negativas, induzindo os cafeicultores a repensar seus sistemas de produção e introduzir novas técnicas agrícolas, que contribuam para reduzir e racionalizar a utilização desses produtos. A aplicação de boas práticas agrícolas alternativas, buscam reforçar a segurança na conservação do solo, pureza dos recursos hídricos, manutenção da biodiversidade do ambiente e preservação da saúde do homem, como estratégias para o alcance da sustentabilidade da cafeicultura.

Julio Cesar Freitas SantosEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA

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  • tempo ideal pra cobertura morta
    segundo os climas de cada zona qual sera o tempo ideal para realizar a cobertura morta concretamente no norte de mocambique? muito grato
    Fred Jose - 18/03/08 04:49

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