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Consciência e Liberdade: a contribuição das abordagens participativas para “aquisição de poder”

02/11/2005

:. Do mesmo autor
O porquê da educação ambiental?

Contribuição da educação ambiental sobre a ciência moderna e o papel do cientista neste contexto

O termo empoderamento tem sido amplamente discutido e utilizado para explicitar diversas formas de intervenção e/ou organização de grupos da sociedade civil. Entendemos empoderamento como estratégias de organização da sociedade civil menos favorecida de informação e serviços. Porém, não é uma forma de organização simplista, pois envolve diferentes tipos de instituições como o Estado, o mercado e a própria sociedade com suas instituições internas. De acordo com a equipe da Embrapa Pantanal “não há ação empoderante neutra”. Ela sempre tem um ponto de partida que é discutir as relações de poder. É trabalhar a faculdade crítica (consciência), a autoconfiança dos sujeitos em grupo, para que estes se tornem agentes da sociedade e passem a exercer sua condição plena de cidadania, bem como interferir nas relações com o Estado e com o mercado, criando novas demandas inclusivas de relações onde antes estes grupos eram excluídos.

Ao longo de nossos estudos observamos que há dois grandes tipos de intervenção em comunidades. Uma chamada tutorial e a outra denominada educacional/participativa¹, a qual estão atreladas diretamente à constituição da autoconfiança e na superação da cultura do silêncio pregada por Paulo Freire. Na cultura do silêncio os indivíduos dependentes ou dominados acham-se semimudos ou mudos, ou seja, proibidos de participarem criativamente na transformação da sociedade e, por conseguinte, proibidos de ser. Ela é o resultado das relações estruturais de dependência e que acarreta em uma forma especial de consciência denominada de semi-intransitiva. Para Freire, neste nível de quase imersão, os indivíduos não compreendem a razão de ser dos próprios fatos. Assim, a explicação para os problemas se encontra sempre fora da realidade. Neste contexto, uma forma de romper com formas antigas de relação de dependência é conhecida como conscientização.

Na abordagem participativa, o agente externo (interventor) assume um papel educativo que visa identificar grupos com interesses comuns, orientar a comunidade na identificação dos problemas e promover a organização inicial do grupo que, por conseguinte tem um papel totalmente ativo, diagnosticando e estabelecendo meios para solucionar os problemas bem como suas causas.

Ela é chamada de educacional, pois possibilita um processo de aprendizagem tanto para o agente externo quanto para o grupo. A abordagem utiliza diferentes métodos para estimular a autoconfiança e desenvolver a faculdade crítica, ou que Paulo Freire chama de “percepção estrutural”. Este tipo de abordagem tem seu diferencial na forma como são conduzidos os processos de intervenção. A atitude do interventor em relação ao grupo passa a ser desafiadora para o mesmo, já que não terá uma postura tutorial pré-estabelecida.

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Cristhiane AmâncioEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAP

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  • E a extensão rural?
    Muito bom Dra Cristhiane!!! É uma pena que as instituições de "amparo" aos agricultores familiares ainda estejam conduzindo suas práticas baseadas em modelos ultrapassados. Naquelas em que os "pacotes de soluções" se sobrepõem aquilo que deveria ser "o entendimento dos processos geradores dos problemas". Há uma mudança, sim... mas é lenta! Muito lenta. Mas somos confiantes, não é mesmo?
    Kleber Cozzolino - 21/07/07 23:32

  • ADOREI O ARTIGO.
    Adorei a abordagem do artigo, o traçado à Paulo Freire e a objetividade com a qual a autora fala do tema.
    Suzane Neves Velasques - 23/02/07 19:44

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