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Conservação do patrimônio genético, cultural e modelo pecuário

26/09/2007

:. Do mesmo autor
Produção de leite em assentamentos do município de Corumbá-MS

O rebanho de gado, que deu origem ao Pantaneiro, foi trazido da Península Ibérica para o Brasil, pelos Portugueses e Espanhóis, ainda na época do descobrimento, com a finalidade de fornecimento de alimento para a comunidade de colonos. Assim, quase sem interferência humana, o gado prosperou, adaptando-se aos diferentes ecossistemas desse país. A pressão da seleção natural por várias gerações ocasionou mudanças de tamanho, de biótipo e de temperamento, e acabou por estabelecer as diferentes raças naturalizadas brasileiras, incluindo o Pantaneiro, também conhecido como Cuiabano ou Tucura, que são animais reconhecidamente resistentes às condições ambientais e pouco exigentes.

Devido à necessidade de aumento de produção de alimentos e, por conseguinte da produtividade dos animais, vários países decidiram estabelecer extensos programas de melhoramento genético das raças locais, consideradas menos produtivas. De maneira geral, por meio de cruzamento as raças naturalizadas foram absorvidas pela raça melhorada, considerada de maior valor genético. Assim aconteceu com os animais da raça Pantaneiro, no qual foi estabelecido um processo de cruzamento absorvente a partir do início do século XX, em que houve introdução de genes zebuínos, especialmente da raça Nelore.

Atualmente existem apenas dois núcleos de conservação “in situ” do bovino Pantaneiro, sendo compostos de aproximadamente 300 indivíduos, localizados nos municípios de Corumbá-MS e de Poconé-MT. A Embrapa Pantanal, em parceria com outros centros de pesquisa e Universidades, dedica-se, desde 1984, a estudar características genéticas, produtivas, reprodutivas e sanitárias dessa raça.

O núcleo de conservação da Embrapa Pantanal é mantido na fazenda Nhumirim (Pantanal da Nhecolândia) e possui o objetivo de manter a variabilidade genética da raça, sendo os animais do núcleo manejados de forma a garantir a preservação do patrimônio genético. Também é utilizado em projetos que buscam agregar valor ao sistema de produção local, por meio de aumento na produtividade do rebanho e do desenvolvimento de manejo sustentável para a região do Pantanal.

Atualmente três principais aspectos da região do Pantanal favorecem a utilização do Bovino Pantaneiro,

1) o potencial turístico da região do Pantanal é inegável, e o Tucura é um elemento cultural importante e pouco explorado por este segmento produtivo. Ele faz parte da história da colonização e do desenvolvimento de uma atividade representativa do homem pantaneiro. A idéia dos empreendimentos de turismo rural tornarem-se novos núcleos de conservação viabiliza projetos que agregam valores produtivos, culturais e ecológicos, proporcionando ao turista a oportunidade de conhecer e saborear um pouco mais da nossa história;

2) as perspectivas futuras da pecuária bovina apontam para a incorporação de variabilidade genética ao rebanho comercial, que atendam, principalmente, às características de adaptabilidade ao ambiente e de resistência a doenças. Os bovinos Pantaneiros parecem adequados também como opção na criação de “raças compostas” adaptadas às condições adversas presentes no ambiente da região pantaneira; e

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Raquel Soares Juliano Envie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAP

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