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Considerações sobre o banco de sementes de plantas daninhas no solo

03/10/2005

:. Do mesmo autor
Considerações sobre o banco de sementes de plantas daninhas no solo

Mecanismos de reprodução das plantas

Uma planta é considerada daninha quando ocorre em local e momento indesejado, interferindo negativamente nas culturas. Num ambiente agrícola uma comunidade de plantas daninhas é formada por indivíduos de espécies diferentes, às vezes poucas, e em outras muitas. Em geral são indivíduos adaptados às condições ambientais dos locais de cultivo, ou seja, apresentam características que os possibilitam obter recursos vitais (água e nutrientes, principalmente) para seu crescimento e desenvolvimento. O crescimento é o acúmulo de massa e energia, e o desenvolvimento é a mudança da fase vegetativa para a reprodutiva. Dentre as características das plantas daninhas que mais influenciam a colonização de áreas agrícolas destaca-se a reprodução, e quanto maior o número de propágulos produzidos por uma planta ou uma população daninha, maior a chance de sucesso desse processo.

Entre as plantas daninhas existem dois processos de reprodução: assexuado e sexuado. No primeiro as plantas-filhas são geneticamente iguais à planta-mãe e elas são originadas a partir de estruturas vegetativas como tubérculos, rizomas ou estolhos e caules. O tubérculo é um caule modificado subterrâneo que contém gemas vegetativas (um exemplo de tubérculo é a batata). O rizoma também é um caule modificado, diferindo do tubérculo por ser subterrâneo ou superficial (rasteiro) e que tem crescimento predominantemente horizontal. Um caule pode permitir a reprodução de plantas principalmente pelo enraizamento dos nós em contato com o solo, como acontece com algumas espécies de trapoeraba. Os propágulos, em geral, têm crescimento rápido e vigoroso (na maioria dos casos também são órgãos de reserva), entretanto, são estruturas que podem ter longevidade reduzida pois são mais suscetíveis à desidratação quando expostos ao ar e à insolação direta.

Na reprodução sexuada há cruzamento entre plantas, processo no qual as características genéticas de um indivíduo são passadas a outro. As plantas originadas são geneticamente diferentes dos seus progenitores. Ao contrário dos propágulos vegetativos, as sementes são mais tolerantes a adversidades ambientais pois o tegumento (envoltório da semente) é capaz de evitar a perda de água e desidratação do embrião contido em seu interior.

Existem espécies que possuem os dois mecanismos de reprodução, como por exemplo a tiririca (Cyperus rotundus L.), embora seu principal mecanismo seja o vegetativo (por meio de tubérculos). Outras se reproduzem apenas por sementes, como o picão-preto (Bidens pilosa L.), e há aquelas que só se reproduzem por meio vegetativo (rizomas e estolões), como o capim-quicuio (Pennisetum clandestinum Hochst ex. Chiov.).

A capacidade de produção de sementes pelas plantas daninhas varia com as espécies e também sofre ação do ambiente. Algumas produzem poucas centenas, como a nabiça (Raphanus raphanistrum L.), e outras milhares, a exemplo da maria-pretinha (Solanum americanum Mill.). Quando as condições ambientais são favoráveis, principalmente disponibilidade de água e de nutrientes no solo e temperatura, as plantas daninhas produzem sementes em quantidade definida pela sua genética. Ao contrário, quando algum fator é limitado, a planta pode, para garantir a sobrevivência da espécie, produzir menor número de sementes, num período anterior ao considerado normal, encurtando seu ciclo de vida.

Uma vez que as plantas daninhas tenham produzido as sementes e elas atinjam estádio de maturação fisiológica o processo seguinte é a dispersão. As sementes podem ficar localizadas próximas à planta-mãe ou levadas a grandes distâncias, principalmente por ação do vento e de animais. A dispersão, como etapa posterior a reprodução, é fundamental para a ocupação de novas áreas pelas plantas daninhas.

José Roberto Antoniol FontesEnvie um email!
Técnico Nível Superior - EMBRAPA/CPAC

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  • Plantas daninhas
    Bom dia, o texto é muito bom, vou utilizar algumas coisas, pois esou fazendo um seminário sobre plantas daninhas.
    Cristhiano Kopanski Camargo - 13/04/07 11:20

  • Plantas daninhas
    Olá Beto. Estava pesquisando sobre plantas tóxicas e navegando...navegando... encontrei seu artigo. Li e gostei. Muito legal, aprendi um pouco sobre essas "danadinhas" que invadem meu quintal e minha horta. Parabéns pelo sucesso na EMBRAPA. Abração Silvane
    Silvane Gomes - 05/09/06 11:38

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