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Contaminação de corpos d'água na região de Corumbá

07/12/2005

:. Do mesmo autor
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No Brasil, 80% dos esgotos são lançados em corpos d’água sem qualquer tratamento; destes 85% são esgotos domésticos e 15% esgotos industriais. Portanto as condições de saneamento são precárias na maioria das cidades brasileiras, não sendo diferente nas cidades do Pantanal. Por exemplo, o rio Cuiabá (MT) já está bem comprometido por esgotos domésticos e industriais, provenientes de Cuiabá, bem como o rio Miranda, na área urbana de Miranda (MS). Nas cidades de Corumbá e Ladário (MS), o rio Paraguai é a principal fonte de abastecimento de água para as comunidades urbanas, após tratamento convencional, uma vez que o rio Paraguai ainda mantém certa qualidade ambiental. Esta qualidade, ou “saúde”, é garantida pela conservação dos processos hidrológicos e ecológicos e pela distância das fontes de contaminação doméstica e industrial rio acima: Cáceres e Cuiabá-Várzea Grande (no rio Cuiabá).

Quanto ao saneamento básico, a situação de Corumbá e Ladário pode ser considerada crítica. Não há redes de coleta nem estações para tratamento de esgotos. Não há aterro sanitário, construído segundo normas específicas de segurança para evitar contaminação no lençol freático e nos córregos. Conta-se apenas com coleta do lixo doméstico e a especial para lixo hospitalar, porém com destinação precária num “lixão” comum para ambas cidades. O esgoto, atualmente composto basicamente por esgoto doméstico (orgânico), é destinado principalmente para fossas sépticas, mas são comuns as ligações clandestinas em galerias pluviais e o despejo direto em córregos que drenam para o rio Paraguai ou mesmo em valas correndo pelas ruas, bem como lançado pelas embarcações. O mesmo ocorre nas cidades bolivianas fronteiriças, onde os esgotos lançados no sistema Laguna Cáceres-Canal do Tamengo deságuam no rio Paraguai, próximo à estação de captação de água de Corumbá. Por sua vez, a captação de água de Ladário está à jusante (rio abaixo) da área de lançamento de esgotos da área urbana de Corumbá, o que não é recomendado. Os efluentes provenientes das agroindústrias e do embarque de óleos vegetais são também de origem orgânica. Contudo, a contaminação por efluentes inorgânicos deve ser expressiva devido à presença de indústrias pesadas (cimento, siderúrgica) e portos fluviais (para barcos de turismo e embarque de minérios e combustíveis).

O primeiro indicador recomendado para evidenciar contaminação num corpo d’água é a determinação do grupo de bactérias denominadas como coliformes fecais, abundantes em fezes humanas e de animais de sangue quente. São exemplos as bactérias da espécie Escherichia coli e as do grupo dos Enterococcus. Para serem consideradas potáveis (próprias para consumo humano), as águas não devem conter microorganismos patogênicos (causadores de doenças), como essas bactérias. A empresa responsável pelo tratamento de água das duas cidades realiza o tratamento em várias etapas, que incluem a cloração, para garantir sua desinfecção e o fornecimento de água com qualidade à população. Cabe lembrar que na grande maioria das propriedades rurais pantaneiras dever-se-ia adotar ao menos a fervura da água a ser consumida como tratamento, seguida de filtragem, ou o uso de algumas gotas de hipoclorito de sódio (água sanitária) em 1 litro de água, seguido de filtragem, uma vez que as fezes provenientes do gado e outros animais domésticos, bem como da abundante fauna silvestre, podem contaminar as águas das baías, corixos e do lençol freático muito superficial, característico de área de planície. Dados preliminares da água coletada em cozinhas de algumas fazendas mostraram contaminação por coliformes fecais.

Quanto ao uso da água para recreação ou balneabilidade (como nadar, mergulhar, pescar em contato direto com as águas, etc.), a legislação brasileira classifica as águas como Excelente, Muito Boa, Satisfatória (consideradas como Próprias) e Imprópria. Como exemplo, as águas são consideradas como de qualidade Satisfatória quando 80% ou mais de um conjunto de amostras apresentar no máximo 1.000 coliformes fecais (cf) por 100 mL da amostra. As águas são IMPRÓPRIAS quando: os valores ultrapassarem os 1.000 cf/100 mL ou quando houver: sinais de poluição por esgotos, perceptíveis pelo olfato ou visão, presença de resíduos sólidos ou líquidos (óleos, graxas) e outros capazes de causar riscos à saúde ou tornar a recreação desagradável. Muitas destas situações são observadas nos córregos e áreas portuárias de Corumbá, Ladário e nas cidades fronteiriças da Bolívia.

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Débora Fernandes CalheirosEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAP

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