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Desafios e oportunidades para a soja nos cerrados de Roraima

02/10/2005

:. Do mesmo autor
O desafio de produzir palha em Roraima

O Brasil é o segundo produtor mundial de soja. Foram cerca de 61 milhões de toneladas produzidas em 2004. Destas, 23 milhões de toneladas foram exportadas, representando 35,6% da comercialização mundial. Quase metade da produção brasileira vem dos cultivos em áreas de cerrado, o que demonstra ser esta leguminosa muito bem adaptada às condições de solo e clima deste ecossistema. No cerrado de Roraima, em 2004, foram produzidas aproximadamente 33 mil toneladas desta oleaginosa numa área de 12 mil hectares. Uma performance produtiva, portanto, de quase 2.800 kg/ha a despeito de sua recente consolidação como cultura de importância econômica para o Estado.

Roraima possui condições favoráveis para firmar-se como nova fronteira agrícola: área de aproximadamente 1,5 milhão de hectares de cerrado apto para a produção de grãos; programa definido de incentivos fiscais e extrafiscais; localização geográfica privilegiada em relação aos mercados consumidores; presença de uma estrutura viária suficiente para escoamento; energia elétrica abundante, embora ainda não disponível para a maioria das propriedades pela falta de linhas-tronco para a derivação final.

Complementam os atrativos locais: a facilidade de mecanização para as áreas de cultivo; baixo preço das terras; produção na entressafra brasileira; disponibilidade de uma base tecnológica para a produção; e alto potencial de produtividade de cultivares já disponibilizadas pela Embrapa Roraima.

Produtores de várias regiões do País têm visitado Roraima em busca de informações. Muitos deles estão se fixando no Estado para a exploração das culturas de grãos, em especial a soja, motivados pelos resultados obtidos em trabalhos de pesquisa e por entenderem que essa cultura apresenta as melhores perspectivas de competitividade nos mercados importadores da Venezuela, Estados Unidos da América, Europa e Ásia.

Produzir quantidade e qualidade de grãos com capacidade para competir nesses mercados exige vencer alguns obstáculos. Um deles é a falta de um mercado estável para compra de insumos, o que gera distorções nos preços de aquisição e onera o processo produtivo. Outro é a baixa fertilidade natural dos solos a exigir altos investimentos iniciais para sua “construção”. Para vencê-los é necessário aumentar a área cultivada - o que pode ser alcançado já em 2006 - e aumentar a produtividade.

Com a ampliação da área cultivada seriam atraídos novos fornecedores de insumos que, por sua vez, para se manter no mercado, teriam que praticar preços competitivos. Uma produtividade superior a atual deve ser atingida ainda em áreas de abertura como forma de diminuir os custos de produção. Para isso é necessário incorporar novas tecnologias como o plantio direto na palhada e selecionar novas cultivares com alta performance produtiva para esse novo patamar tecnológico.

A Embrapa Roraima, em parceria com a Embrapa Soja e Embrapa Cerrados, desenvolveu uma cultivar com esse propósito. Assim, procurando tornar o sistema produtivo de soja nos cerrados de Roraima mais eficiente, obteve-se a BRS Serena, que é uma cultivar desenvolvida em 1995 pela Embrapa Soja, na estação experimental de Londrina, no Paraná. Essa cultivar tem como origem o cruzamento entre FT Jatobá x BR 89-11989-D, e foi obtida pelo método genealógico modificado. O cruzamento e avanço de gerações até a linhagem realizou-se na Embrapa Soja.

A cultivar BRS Serena foi inicialmente indicada para cultivo no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso e agora estendida para Roraima, onde foi introduzida como linhagem BRAS 97-0082. Foi avaliada nos ensaios de competição regionais Norte/Nordeste liderados pela Embrapa Soja e testada pela Embrapa Roraima no período de 2001 a 2003. Graças ao seu bom desempenho produtivo e por apresentar características agronômicas desejáveis está indicada para plantio nas áreas de cerrado do Estado desde 2004.

A produtividade média alcançada pela cultivar nos três anos, nos dois campos de testes (Monte Cristo e Água Boa) foi de 3.200 kg/ha. Esta produtividade média obtida com a nova cultivar permite ao produtor maior retorno financeiro ao investimento para seu cultivo. A BRS Serena apresenta características agronômicas desejáveis para o cultivo nos cerrados de Roraima, mesmo em solos de abertura quando corrigidos e adubados adequadamente. Essas características são boa altura de planta (75cm) e de inserção da primeira vagem (15cm), resistência ao cancro da haste e pústula bacteriana, resistência à abertura de vagens e acamamento, além de boa produtividade.

Recomenda-se, portanto, seu cultivo nas áreas de cerrado de Roraima com uma população de 300 mil plantas/ha, em áreas de primeiro ano e 280 mil plantas/ha em áreas com mais de um ano de plantio (28 a 30 plantas/m2) em solos corrigidos adequadamente com calcário, fósforo, potássio e micronutrientes.

Vicente GianluppiEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRR
Oscar José SmiderleEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRR

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  • controle da formiga cortadeira em rroaima
    Olá boa tarde!! gostaria de saber se existe algum trabalho referente ao controle da formiga cortadeira em roraima, quais os plantios que são atacados?? Excelente trabalho. Desde ja agradeço..
    Tati - 13/03/15 16:03

  • obrigada!
    agradeço pelas informações que estava disponível nesta página, foi de grande ajuda para o trabalho que estou desenvolvendo com outros colegas. se for possível envie mais informações sobre o crescimento germinativo da soja no período seco e chuvoso. atenciosamente: joelma
    joelma b. silva - 29/03/07 17:34

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