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Do monocultivo ao uso de sistemas agroflorestais

03/04/2006

:. Do mesmo autor
Sistema Agroflorestal é alternativa sustentável para produção rural

Agricultura Familiar: em busca de novos rumos na região do Apiaú

As atividades da Embrapa Roraima com Sistemas Agroflorestais em área de pequenos produtores, iniciadas em 1999 na vicinal 7, no Apiaú/Mucajaí (RR), contribui para mudar aos poucos a cultura do produtor rural. Os produtores participantes do projeto com Sistemas Agroflorestais passaram a adotar novos critérios na adequação de tipos de exploração para suas áreas, embora isso não queira dizer que antes não pensassem em diferentes modos de explorar a terra.

No uso da tecnologia de Sistemas Agroflorestais que agrega várias áreas do conhecimento como a agricultura, fruticultura e a silvicultura, as pequenas diferenças no modo de conduzir suas atividades, privilegiam não só ganhos financeiros - principalmente porque estes são efêmeros - mas buscam também conciliar o aspecto socioeconômico com o ambiental, para que seus ganhos tenham sustentabilidade ao longo dos anos.

Mesmo com pouca ou nenhuma formação agrícola, os produtores da Vila do Apiaú, estão lá, a princípio, para a posse da terra. A transformação da paisagem local, de floresta de transição, em áreas agriculturáveis e para pastagens, não fornece a dimensão das conseqüências exploratórias.

A visão simplista de uma floresta auto-sustentável também contribui para o tipo de exploração realizado. Mas, a dura realidade de se deparar com uma floresta que não lhes fornecerá os produtos necessários para a própria sobrevivência, os leva a modificar os últimos resquícios de preservação florestal que por ventura existam, tornando inevitável o desmatamento.

Com a retirada da vegetação, surgem os monocultivos que conseguem exaurir os recursos do solo sem conseguir repô-los em tempo hábil para vários ciclos de cultivos. Nesse processo passam-se vários anos para que um solo exaustivamente trabalhado retome os padrões de fertilidade encontrados no início da exploração, sem que haja o aporte de insumos.

Esse relato foi o panorama encontrado no Apiaú quando da implantação dos sistemas agroflorestais, os quais têm em sua concepção, a utilização concomitante de técnicas de cultivos de anuais (quando há o uso dessa tecnologia nas áreas dos participantes) associadas às técnicas de manejo de frutíferas, leguminosas arbóreas e madeiráveis, todas orientadas ao tipo de local de adoção do sistema, no caso, floresta de transição.

O projeto contou com o financiamento do Banco da Amazônia (Basa), onde as ações voltaram-se, principalmente, para a diminuição do uso do fogo (processo de derruba e queima), procurando orientar os produtores participantes para o uso de práticas compatíveis com o incremento produtivo básico para a sustentação dos plantios que se pretende cultivar, seguindo estratégias de cultivos direcionadas para diferentes combinações de espécies, de modo que o solo não permaneça descoberto por muito tempo.

Ressalta-se que, se os plantios levarem em consideração o tempo certo de cada espécie ir a campo, o produtor perceberá como as culturas no ato de ocupação e fixação ao solo, preenchem os espaços ao seu redor, evitando assim, a exposição do solo às intempéries.

As combinações de espécies trabalhadas (como mencionado acima) colonizam no seu devido tempo, a área a ser explorada, ajudando na fixação de nutrientes, na manutenção da umidade do solo, no controle de ervas daninhas, insetos e doenças, tornando dessa forma, o ambiente favorável à manutenção da fertilidade do solo.

Assim, é desejável que o produtor tenha em mente o planejamento de quais espécies pretende trabalhar. É importante estar atento, entre outras coisas, a se elas são adaptadas ao local, como as espécies nativas, e o que se espera em termos de produção para obter o equilíbrio financeiro almejado no decorrer de sua vida.

Liane Marise Moreira FerreiraEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAFRR

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