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Dormência em sementes de arroz

12/04/2006

:. Do mesmo autor
Sementes Peletizadas de Hortaliças

Efeito do armazenamento na qualidade fisiológica de sementes peletizadas de alface

A cultura do arroz é de grande importância no Brasil, em especial nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde se encontra a maior produção de arroz irrigado do país, sendo utilizados diferentes sistemas de cultivo e técnicas de manejo para que se obtenha maiores rendimentos. Portanto, torna-se necessário, entre outros fatores, a utilização de sementes de boa qualidade, identificada através de testes realizados rotineiramente nos laboratórios de análises de sementes.

Sementes de arroz, assim como outras espécies, no entanto, podem apresentar dormência. Esta cosntitui importante significado ecológico, pois distribui a germinação das sementes no tempo, através da variação da intensidade de fenômeno entre sementes de uma mesma planta.

Em arroz, a dormência é entendida como uma resistência à germinação pré e pós-colheita (Foley & Fennimore, 1998) e inúmeras causas são definidas como responsáveis por este evento. Entre elas, destaca-se a necessidade de O2 nas fases iniciais do processo de germinação, o que resulta na principal forma de dormência das sementes. Esse fato estaria relacionado a impermeabilidade da casca e do pericarpo dificultando a entrada de oxigênio para o embrião, impedindo assim a germinação (Roberts 1961; Larinde, 1979). Estudos indicam que sementes sem dormência podem germinar tanto em condições aeróbicas como anaeróbicas, o que não acontece com sementes dormentes que necessitam obrigatoriamente de oxigênio para germinar (Franco et al., 1977). Fatores químicos e físicos, portanto, estão envolvidos na casca determinando ausência de germinação.

A presença de determinados produtos químicos inibidores, entre eles moléculas orgânicas relativamente simples e de baixo peso molecular, como aldeídos ácidos fenólicos, alcalóides e ácidos orgânicos pode ser detectada na cobertura das sementes (Ketring, 1997; Vieira et al., 2000). Dentre estes, destacam-se os compostos fenólicos, além da presença de agentes oxidantes que promovem oxidação, com o decréscimo na concentração de O2. Nesse sentido, a associação dos compostos fenólicos com a alta atividade respiratória nos tecidos de cobertura da semente limitam a disponibilidade de O2 para o embrião.

A atividade enzimática está diretamente relacionada a dormência de sementes. Dentre elas, destaca-se a atividade da peroxidase, presente na casca das sementes, na qual caracteriza cultivares dormentes, agindo como catalisador nas reações de oxidação, auxiliando os compostos fenólicos, que competem pelo O2 e retardam ou inibem o processo de germinação.

Alguns autores consideram que a dormência das sementes pode também ser afetada pelo desequilíbrio entre os hormônios reguladores de crescimento, atuando direta ou indiretamente no metabolismo dos carboidratos, proteínas e outras reservas das sementes. Desta forma, existe um complexo balanço entre as concentrações de inibidores e de estimuladores responsáveis pela dormência, associada a sensibilidade das células em receber estímulos de inibidores e promotores (Vieira et al. , 2002), uma vez que reguladores como citocininas, auxinas e giberilinas podem induzir a germinação.

A dormência em sementes de arroz não constitui, entretanto, problema imediato ao produtor, visto que a época de colheita do arroz no Estado do Rio Grande do Sul não coincide com a época de semeadura, sendo necessário o armazenamento das sementes, que devido a temperatura e a umidade relativa do ar, mantém a qualidade fisiológica além de contribuir para superação gradativa da dormência (Jennings & Jesus Junior, 1964). O armazenamento age direta e lentamente na superação da dormência das sementes de arroz recém-colhidas, volatilizando os compostos fenólicos e outros inibidores da germinação, presentes no endosperma, embrião e casca, que reduzem a disponibilidade de O2 para o embrião.

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Simone Medianeira FranzinEnvie um email!
Bióloga - UFSM

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