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Ervas Medicinais: Vale a pena cultivar?

30/11/2009

:. Do mesmo autor
Erva-doce : Foeniculum vulgare Mill. ou Pimpinella anisum L.?

No Brasil, além da grande diversidade de espécies medicinais nativas, utilizadas desde os primórdios pelos povos indígenas, grande número de espécies foi introduzido pelos imigrantes e escravos africanos. Com isso, a medicina popular tornou-se reflexo das uniões étnicas e o conhecimento dessas ervas e seus usos foram difundidos de geração em geração.

Por muito tempo, essas plantas e seus derivados naturais representaram as únicas formas de tratamento terapêutico. Mas com o advento da síntese química e crescimento da indústria de medicamentos quimio-sintéticos, o conhecimento e o uso dessas plantas foi relegado a um plano secundário.

Nas últimas décadas, no entanto, com a maior valorização da natureza e busca por alimentos e vida mais saudável, a demanda por plantas medicinais vem crescendo no Brasil e em todo o mundo. E, com isso, essas plantas estão agora assumindo papel mais importante não só na saúde da população, mas também na agricultura e na economia nacional.

As ervas medicinais podem ser obtidas por extrativismo ou cultivo. Dentre as vantagens do cultivo destacam-se a segurança na identidade botânica, programação prévia das atividades, desde plantio até colheita, volume de produção, possibilidade de manejar a produção visando aumentar teor de determinados princípios ativos, ambiente com água e solo de qualidade e espaço adequado para beneficiamento pós-colheita próximo à área de cultivo.

O extrativismo, por outro lado, inclui, dentre as suas consequências, o risco de extinção das espécies mais coletadas, falta de constância na oferta, problemas de confusões e falsificações botânicas. Apesar disso, ainda são poucas as espécies cultivadas no país, especialmente em escala comercial.

O cultivo dessas plantas deve ser realizado sem o uso de agrotóxicos (incluindo pesticidas, fungicidas, herbicidas), em razão da utilização dessas plantas como medicamento em pessoas com algum tipo de debilidade. Além disso, o processo de secagem, utilizado com o fim de eliminar a água no interior da planta e prolongar seu tempo de utilização com qualidade, assim como os processos de extração (incluindo o preparo de chás), pode concentrar os ingredientes ativos dos agrotóxicos. O uso de adubos químicos e agrotóxicos pode alterar a composição da planta, alterar seu efeito terapêutico e até mesmo provocar efeitos colaterais ou tóxicos.

Por outro lado, as ervas medicinais, em geral, não enfrentam tantos problemas com pragas, como ocorre com as hortaliças, por exemplo, e outras culturas alimentícias. Isto decorre dos muitos metabólitos especiais (como óleos essenciais, lactonas sesquiterpênicas, alcalóides, cumarinas, entre outros), que elas produzem e acumulam em seu interior, e que, frequentemente, estão relacionados à função de defesa das mesmas. Alguns desses compostos conferem odor repelente a insetos e outros animais, sabor desagradável, ação inseticida e ou antimicrobiana.

Recomenda-se que o cultivo dessas plantas seja feito em sistema orgânico de produção. Nesse sentido, tecnologias como barreiras físicas (barreiras de vento), consorciação de culturas, cultivo em faixas, rotação de culturas, cultivo mínimo e compostagem devem ser adotadas na área de produção. Essas tecnologias possibilitam aumentar a biodiversidade vegetal, aumentar a diversidade de inimigos naturais presentes, o que contribui com o controle de pragas e doenças.

A maioria das ervas medicinais permite mais de um ciclo de produção e de colheita, variando, no entanto, a duração do ciclo de vida e do tempo em que podem ser mantidas na área de produção. Em muitas delas, como no caso do Manjericão e das Mentas, o órgão da planta de interesse econômico é a folha. Desse modo muitas colheitas podem ser feitas ao longo de um ano. Muitas dessas plantas têm uso não só como medicinal, mas também como condimento e aromatizante. A possibilidade de múltiplos usos, o alto valor agregado, aliado ao grande volume de produção torna o cultivo dessas plantas rentável economicamente.

*Luciana Marques de Carvalho é pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros em Aracaju, Sergipe.

Luciana Marques de CarvalhoEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPATC

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  • Plantas medicinais
    Gostaria de saber se têm mudas de: Alcachofra, alecrim,Malva, espinheira santa, marcela (não se é semente) citronela.Desde já agradeço e aguardo uma resposta.
    Aguida - 25/07/12 01:00

  • agradecer e perguntar
    obrigado por voces existirem terem feito este site pois tá tudo se acabando euera menina não tomava rem´dio de farmacia so do mato mas agora moro na cidade e ja não tem mais o chá da mamãe então encontrei voces.bambu se planta a semente ou não?e a muda de marcelinha onde encontro moro em SP.obrigado estou no aguardo
    maria - 16/01/10 22:21

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