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Esforços para erradicação do cancro cítrico

08/06/2005

:. Do mesmo autor
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O cancro cítrico é um dos principais problemas da citricultura mundial. É uma doença causada por uma bactéria proveniente do sudeste asiático, que ocorre em várias regiões brasileiras, inclusive no Estado de Roraima. A importância da doença se deve ao fato da bactéria causar grandes danos às plantas e não ser eficientemente controlada pelo uso de defensivos agrícolas. O risco se agrava pela sua facilidade de disseminação a curtas distâncias por chuvas com vento e a longas distâncias por movimentação de material vegetal.

Essa doença foi constatada no Brasil pela primeira vez na cidade de Presidente Prudente-SP, em 1957, e rapidamente se disseminou em outros Estados. Atualmente é encontrada em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Medidas de erradicação em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais obtiveram sucesso, sendo agora estes Estados considerados áreas isentas.

Em Roraima, o cancro cítrico foi constatado em setembro de 2002, em plantas de limão Galego na região do Monte Cristo, município de Boa Vista. Desde então, a questão da erradicação do cancro cítrico vem sendo abordada na Comissão de Defesa Sanitária Vegetal de Roraima, onde a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem representação. Nesta comissão discutem-se ações para assuntos ligados a defesa vegetal envolvendo órgãos governamentais e representantes envolvidos na cadeia produtiva.

Os técnicos da Secretaria de Agricultura e do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento vêm somando esforços na localização e erradicação dos focos de plantas com cancro cítrico no Estado. Muito já foi feito. Entretanto, a presença de plantas doentes em propriedades residenciais dificulta o avanço do programa de erradicação.

Outra dificuldade é o trânsito de material vegetal com a doença. A bactéria pode ser disseminada em mudas, frutos, folhas, galhos contaminados e sobrevive por períodos variáveis em caixotes utilizados para colheita e transporte. Por isso há riscos na re-introdução sistemática de material de citros proveniente de outras regiões do país em que a doença ocorra. Não menos relevante é o intercâmbio de material seja de propriedades com plantios comerciais ou caseiros. Estes fatores retardam o êxito do programa de erradicação.

Os riscos para o agronegócio, decorrentes da presença do cancro cítrico são preocupantes, pois podem implicar em restrições comerciais. Neste aspecto, destaca-se a importância da participação da sociedade nesta empreitada, informando aos técnicos locais do serviço de extensão, suspeitas da ocorrência do cancro cítrico em sua propriedade. Comerciantes que vendem produtos como laranja e limão, ao observarem frutos com sintomas de cancro também podem contribuir, incentivando os fornecedores a procurar orientações junto aos técnicos.

O cancro cítrico é reconhecido pelos sintomas em folhas, ramos e frutos. Quando a planta tem a doença são observadas lesões salientes e rugosas, de cor marrom-escura, semelhantes a uma camada de cortiça. Nas folhas, as lesões são observadas nas duas faces, havendo também um halo amarelado ao redor. O mesmo sintoma ocorre em frutos. Estas são as principais características que diferenciam o cancro cítrico de outras doenças comuns como a leprose e verrugose.

A ocorrência da larva minadora dos citros, um inseto que faz galerias dentro das folhas, agrava os problemas. São observados com freqüência os caminhos que a larva faz na folha, acompanhados pela camada de cortiça.

O ingresso de material vegetal proveniente de outros Estados e dos países vizinhos constitui um risco constante de contaminação. Para citros deve-se atentar para algumas doenças de grande importância que ainda não ocorrem em Roraima, mas têm causado sérios prejuízos nas principais regiões produtoras do país. Consideremos as perdas anuais estimadas em cerca de 100 milhões de dólares decorrentes da clorose variegada dos citros (CVC) e a expansão de outras doenças importantes como o greening, constatado no Brasil, em São Paulo, em 2004 e a morte súbita do citros, doença de causa ainda não elucidada.

Bernardo de Almeida Halfeld VieiraEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRR

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  • erradicaçao do canco cítrico
    tenho uma pequena chacara com alguns pés de citricos. Gostaria de saber, foi erradicado um pé que aresentou a doença; e os outros que não apresentam a doença , não precisam ser erradicados?
    helenita aparecida de oliveira - 15/06/09 03:40

  • dúvida
    a campanha só trabalha em cima da erradicação? A erradicação é uma medida para todas as fases da contaminação, desde o ínicio até até quando mais avançada? Aguardo o mais breve.
    NATHALIA - 26/02/08 10:19

  • cancro cítrico
    Tenho uma pequena chácara e nela tenho alguns pés de cítricos. Após ler vários artigos sobre o cancro cítrico e os prejuízos por ele causados despertou-me a preocupação de poder estar, por ingenuidade, disseminando a doença. Vou redobrar cuidados para que isso não possa ocorrer. Gostaria entretanto de saber qual o risco para o ser humano ao consumir frutas cítricas contaminadas com a referida doença. Aguardo a gentileza de uma resposta.
    Vicente Correa da Silva - 08/10/07 02:34

  • Erradição do cancro cítrico
    Qual a razão do cancro cítrico ser erradicado em alguns Estados e outros não, inclusive na região de Presidente Prudente? Sou de Prudente e como jornalista, dono da empresa Macromídia, presto serviços de assessoria ao deputado estadual Ed Thomas que tem lutado pelo erradicação do cancro cítrico nesta região...
    Homero Ferreira - 11/09/07 15:25

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