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Estratégias para definição de Períodos de Defeso no Pantanal

27/07/2004

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O objetivo básico de definição de períodos de defeso de reprodução é possibilitar que os peixes possam se reproduzir e repor / renovar os estoques pescáveis para os anos seguintes. Nesse sentido, é necessário entender a biologia e ecologia das espécies consideradas, para que se tenha um uso sustentável, conciliando os interesses econômicos, sociais e ambientais.

O defeso de reprodução no Pantanal é definido em função das espécies de valor econômico, geralmente migradoras que, todo ano realizam migrações rio acima, onde se reproduzem, ao encontrarem condições adequadas, principalmente para ovos e larvas. A este grupo pertencem o pacu, a piraputanga, o dourado, o pintado, o ximboré, a cachara e a jiripoca, dentre outras. A desova geralmente ocorre nas cabeceiras, após grandes chuvas, quando o nível dos rios sobe, as águas estão turvas e oxigenadas, atendendo às necessidades de oxigenação mais elevada nessa fase inicial de desenvolvimento, bem como de proteção contra a predação nas águas turvas que impedem a visualização dos ovos e larvas pelos predadores.

Os peixes migradores possuem alta fecundidade e, dependendo da espécie e do tamanho alcançado, uma fêmea pode apresentar em seus ovários mais de um milhão de ovos. A cada ano, machos e fêmeas alimentam-se no Baixo Pantanal onde o alimento é abundante no período da enchente/cheia e quando alcançam acúmulo de reservas suficientes para o desenvolvimento das gônadas e para a longa migração até as cabeceiras, iniciam essa longa viagem, que é conhecida popularmente como piracema. Quando não conseguem acumular reservas suficientes, principalmente por insuficiência de inundação, não migram, ou mesmo quando iniciam a migração, não chegam a completá-la. Em alguns anos é possível observar fêmeas ovadas de peixes migradores no baixo Pantanal, nas proximidades de Corumbá e Baía do Castelo, no período de defeso da reprodução que se apresentam nessas condições. Quando não conseguem completar a migração ascendente, os ovários entram em regressão e os ovócitos são reabsorvidos. A ocorrência de exemplares ovados de peixes migradores no baixo Pantanal, misturados com exemplares desovados e em regressão, são indicativos dos fatos expostos acima.

Observações de campo vem mostrando que o ideal para uma alimentação suficiente e acúmulo de reservas, principalmente na forma de gordura, é que a inundação alcance pelo menos cinco metros de altura no rio Paraguai, medida na régua de Ladário, próximo a Corumbá e mais de quatro metros de altura na régua de Porto Cercado, no rio Cuiabá.

É preciso ainda considerar que, se um dado estoque de peixes está sendo utilizado, o manejo deve considerar a proteção do pico da reprodução que, para a maior parte dos peixes de valor econômico, ocorre na cabeceira dos tributários, entre Novembro e Fevereiro, começando com os peixes de escama e terminando com os peixes de couro. Essa seqüência tem lógica, na medida em que as larvas de peixes de couro são predadoras e necessitam encontrar larvas de outros peixes para se alimentarem assim que esgotam os recursos energéticos do vitelo, abrem a boca e iniciam a alimentação externa.

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Emiko Kawakami de ResendeEnvie um email!
Bióloga - EMBRAPA/CPAP

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