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Estudo de mercado do café especial (café gourmet)

03/08/2006

:. Do mesmo autor
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1 CONTEXTUALIZAÇÃO

Existem várias lendas sobre o surgimento e do costume de saborear um café. A mais contada é a que se passou nos meado do século XV, onde um pastor da Etiópia notou que suas cabras, ao ingerirem os frutos de certo arbusto, se tornavam mais vivas, com mais disposição. Assim, o pastor resolveu fazer uma infusão com os tais frutos e experimentá-lo. Após beber, ele achou que sua disposição física tinha melhorado e passou a beber e divulgar sobre a nova descoberta.

De acordo com Ormond (1999), o hábito de beber café correu o mundo. Seu nome tem origem no termo turco kahué, que significa “força”. Para Ormond (1999), é possível que os árabes já tomavam café no século XV, onde na península arábica agricultura e o comércio de café de desenvolveram e se espalharam rapidamente pelo Egito, Síria, Turquia e todo o Oriente.

Conforme Ormond (1999), em 1592 ocorreu a divulgação do café na Europa. No início do século XVII navios da Companhia das Índias Orientais já faziam o transporte de uma grande quantidade entre países mulçumanos do Oriente. Já em 1637, era hábito consumir café na Alemanha e nos Países Baixos, sendo na Alemanha a origem do café com leite.

Em 1645 aparecerem as primeiras casas de café na Itália, espalhando-se em seguida pela península, tornando-se celebres os cafés venezianos, genoveses e romanos. Em 1657, na França, a corte de Luís XIV já consumia o café, surgindo várias casas de café publico em Londres e Paris, tornando-se pontos de encontros para debates e discussões, principalmente sobre política a arte.

Conforme Ormond (1999), no final do século XVII, os holandeses levaram o café para cultivo na Malásia, Java, Célebes, Timor e Sumatra. Depois levaram mudas da planta para o Jardim Botânico de Amsterdã, onde se originaram os primeiros cafezais da América. Existem indícios que o Suriname foi a primeira região onde praticaram a cultura do café no início do século XVIII, indo em seguida para Guiana Francesa.

Já no século XVIII, o café deixou de ser um monopólio árabe para se tornar um produto de grande importância econômica para o desenvolvimento de vários países da África, Ásia e América Latina.

De acordo com o Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais – CCCMG (2006), somente em 1727 o café chegou ao Brasil através do sargento-Mor Francisco de Melo Palheta, que foi em missão oficial às Guianas. As primeiras lavouras começaram em Belém do Pará e depois foi levado para o Amazonas e Maranhão. Já em 1767, o café produzido no Amazonas era exportado para a Europa. Somente em 1770 é que o café foi levado para o Rio de Janeiro pelo desembargador João Alberto Castelo Branco.

O Marquês do Lavradio foi um dos maiores incentivadores da cultura do café no Brasil, dando isenção do serviço militar o lavrador que tivesse plantado um determinado número de cafeeiros.

Conforme o CCCMG (2006), o café era plantado no Rio de janeiro em chácaras, sítios e quintais. Era produzido para consumo interno, servindo de aprendizagem da cultura para seu desenvolvimento após a independência. O próprio Rei D. João VI distribuía sementes de café aos membros de sua corte, com a finalidade de aumentar o plantio da rubiácea no Brasil.

A partir do ano de 1810, a cultura do café no Brasil teve um crescimento considerável, tanto que em 1826 nossas exportações já representavam 20% da produção mundial. Em 1830, o Brasil ultrapassou Jawa, tornando-se o fornecedor de cerca de 40% do consumo mundial e transformando-se no maior produtor de café do mundo.

Conforme o CCCMG (2006), os Estados Brasileiros que hoje produzem comercialmente o café são: São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Pernambuco, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará e Rondônia.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (2006), atualmente o Brasil é o maior produtor de café do mundo, produziu em 2005 uma safra de 32,95 milhões de sacas, com uma produção que chega a 40% de todo o café do mundo. No ano de 2005 o Brasil consumiu 15 milhões de sacas e exportou 26 milhões, participando em 28% do mercado mundial.

Conforme o MAPA (2006), a safra de 2006/2007 é estimada em 40,6 milhões de sacas de 60 quilos, com um aumento de produção de 23,3%, ou seja, 7,67 milhões de sacas. Nos últimos cinco anos, na média a produção brasileira de café foi de 38 milhões de sacas.

Atualmente o consumo mundial de café é de 119 milhões de sacas e nos próximos 10 anos são previstos um crescimento da demanda mundial para 146 milhões de sacas. Assim, para atender a demanda mundial o Brasil precisa nesse tempo aumentar gradativamente sua produção para 60 milhões de sacas por ano, ofertando 24 milhões de sacas para o consumo interno e 36 milhões para as exportações.

Apesar do Brasil lidera a produção mundial de café, no panorama mundial o status do produto brasileiro não é tão grande quanto o seu volume de exportações, falta qualidade. O consumo de café é fortemente ligado ao prazer do consumo, às suas qualidades nutricionais e a associação da bebida à cultura, classe e requinte.

O produtor de café no Brasil precisa criar valor ao seu produto, é possível melhorar a qualidade do café por meio de mudanças de tecnologias, na colheita seletiva e no pós-colheita, com cuidados no beneficiamento, na secagem e na separação para formar lotes segregados.

Alguns produtores brasileiros acordaram para essa questão e resolveram investir em uma lavoura de café com mais qualidade. Atualmente, um dos setores que mais crescem no setor cafeeiro é o de produtos especiais, com alta qualidade, conhecidos pelos europeus por cafés gourmet e pelos americanos por cafés especiais.

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Luiz Carlos de AraujoEnvie um email!
Professor Universitário - FSG

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  • Convite
    Seu artigo sobre café é impressionante. Sou jornalista e estudante de economia em Varginha. Em breve vou lançar um revista para o setor e gostaria de convidá-lo para ser um dos nossos colaboradores e futuramente publicar parte de seus demais estudos. Parabéns
    José Luís de Freitas - 15/10/10 14:26

  • Café
    Obrigado por esse texto esclarecedor. Faltaram apenas as notas de referência. Forte abraço!
    Henrique - 17/02/09 21:37

  • Re: correção artigo
    Prezado Ismael, Você tem toda razão na sua observação: o correto seria 800 mil sacas de café colhidas no ano de 2005/2006 e não apenas 800 sacas. Agradeço a sua percepção e correção. Muito obrigado. Prof. Luiz Carlos de Araújo
    Luiz Carlos de Araújo - 08/09/08 07:03

  • correção artigo
    Bom dia, no capitulo 5, mercado de cafés especiais Goumet, ha um erro entre os dados oferecidos, a diferença se encontra nos dados 1 milhão de sacas, 25% maior que 800 sacas. NO caso seriam 800 mil sacas. Desculpe a intervenção!!! o intuito é colaborar
    Ismael Terra Silva - 03/09/08 08:28

  • artigo café
    Obriga Em situações como esta onde uma total leiga consegue informações tão valiosas associadas e organizadas dá até para acreditar que a internet não está de todo perdida. Penso em plantar café gourmet, obrigada. Adriana
    adriana - 10/07/08 20:21

  • parabens
    artigo muito bom, interessante e instrutivo. Gostei e aprendi muito pois sou produtor de café na Alta Mogiana(Franca e Pedregulho) e tenho interesse em colocar meu café como o de alta qualidade. Parabens
    marcilio sandoval silveira - 12/03/08 21:11

  • Re: parabéns
    Caro Ernane, É com grande satisfação que recebo seu comentário. Sou do estado do ES que é um grande produtor de café. Na minha dissertação de mestrado estudei a cadeia de café especial sob a ênfase dos custos de transação. Pretendo fazer um artigo da dissertação e publicar.
    Luiz Carlos de Araujo - 13/03/07 10:42

  • parabéns
    adorei o artigo , sou bartender barista e ja trabalho com café a mais de 5 anos ; este artigo está bém detalhado e de uma linguagem facil de entender até mesmo para quem está iniciando nesta area parabéns e mande materias e artigos vou ficar contente e desde ja agradeço.
    ernane niranda - 12/03/07 15:45

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