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Febre Maculosa: Uma Doença do meio rural

07/12/2005

:. Do mesmo autor
Importância da identificação de populações do carrapato dos bovinos resistentes a bases carrapaticidas

Até mesmo em ambientes naturais não modificados, a introdução de novas espécies de hospedeiros ou de parasitos pode acarretar estados extremos e alternados de agressividade recíproca. Assim, são representantes dessas instabilidades as grandes epidemias, a emergência ou ressurgimento de zoonoses e a proliferação ou o deslocamento de determinados grupos de artrópodes, como os carrapatos, que possibilitam a circulação da bactéria causadora da Febre Maculosa, denominada Rickettsia, entre os carrapatos e hospedeiros vertebrados em ecossistemas independentes do homem.

Membros do gênero Rickettsia são morfologicamente e bioquimicamente similares a outras bactérias gram-negativas, porém são aprimorados organismos parasitas intracelulares obrigatórios que encontram-se freqüentemente associados a alguma espécie de artrópodes, e apresentam-se como potencialmente patológicos à animais vertebrados, incluindo o homem, usualmente como hospedeiros acidentais.

A Febre Maculosa Brasileira, também chamada de Febre Maculosa de São Paulo, tem como agente etiológico Rickettsia ricketsii, o mesmo agente responsável pela Febre Maculosa das Montanhas Rochosas nos EUA. Reconhecida pela primeira vez no estado de São Paulo em 1929 e aparentemente, circunscrita a áreas suburbanas da capital, foi identificada em outras regiões do estado e também em Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No contexto ecológico algumas espécies de carrapatos podem transmitir a rickettsia para determinadas categorias de animais silvestres, dentre eles o cachorro do mato, preás, roedores silvestres e os gambás. No Brasil, o carrapato estrela do cavalo (Amblyomma cajennense) é considerado o principal transmissor desta bactéria. Os cães atuam como carreadores de carrapatos de animais silvestres para o peri-domicílio humano e constituem-se em importantes indicadores da atividade do agente etiológico. A maioria dos pacientes acometidos, referem-se à picada de carrapatos, porém a falta desta informação não exclui a possibilidade da doença, pelo potencial dos mesmos passarem desapercebidos.

A doença no homem pode ser aguda, febril e provocar manchas em todo o corpo iniciando-se pelas palmas das mãos e plantas dos pés ou com sintomas inaparentes, mimetizando o estado gripal. O período de incubação da doença no homem varia de 3 a 14 dias e o início é súbito, com febre, dor de cabeça, prostração, mialgias e confusão mental. A doença evolui para a gravidade em 2 a 3 semanas. Os casos fatais causados pela Febre Maculosa diminuíram drasticamente, após a descoberta de uma eficaz antibioticoterapia, além do uso intensivo de carrapaticidas sobre os animais domésticos.

No Brasil, relatos desta zoonose parecem estar limitados aos estados da região sudeste, porém, estudos de ocorrência de Febre Maculosa no Brasil, sugerem que a distribuição desta doença pode ser mais ampla do que se supunha.

Ó carrapato do cavalo ou carrapato estrela, pela necessidade de parasitar três hospedeiros, é a espécie de maior importância na transmissão da Febre Maculosa Brasileira por estar presente em todo território nacional.

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Luciana Gatto BritoEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAFRO

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