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Globalização e segurança alimentar

04/01/2010

:. Do mesmo autor
Rastreabilidade: devagar quase parando

Artigo baseado em matéria elaborada por Jorge Enrique Robledo Castillo, professor titular da Universidade Nacional da Colômbia. Senador eleito pelo "Moir" para o período de 2002 a 2006

"FICAR SEM ENERGIA ELÉTRICA, AUTOMÓVEIS E DEMAIS INSTRUMENTOS SIGNIFICARIA, SEM DÚVIDA, UMA CRISE GRAVÍSSIMA PARA QUALQUER SOCIEDADE. MAS NÃO TER ALIMENTOS LEVARIA ESTA MESMA SOCIEDADE A UM INEVITÁVEL DESAPARECIMENTO".

Desde os tempos imemoriais a humanidade se debateu para a sua própria sobrevivência com um dos elementos mais essenciais, que é e sempre será o alimento de cada dia.

Não se tem notícias de que algum povo tenha sobrevivido sem alimentos.

Nem na mitologia grega se encontram exemplos. Sempre haveria um sacrifício, como forma de aplacar a ira dos deuses. E esta ira sempre foi representada pela necessidade de se consumir algo.

Metaforicamente, comida.

Em todos os países (onde é possível tal situação), a produção agropecuária tem uma grande importância social, mesmo porque dela dependem de forma direta os próprios agropecuaristas, os agro-industriais, o comércio atacadista e varejista, os índios e os trabalhadores rurais.

Não se pode entender a agropecuária, o campo, a propriedade rural sem estar posicionada como peça central de todo um sistema principal das atividades relacionadas com o mercado interno de qualquer nação. Esta posição central deve-se ao fato de que são gerados produtos para alimentar esta nação, assim como a movimentação do capital, que por sua vez permite intercâmbios entre a zona urbana e a zona rural: pelo fato da zona urbana adquirir o produto primário, transformá-lo e agregar valores e com isso movimentar o capital e, por sua vez o meio rural na sua sistemática produtiva que produz e vende o bem primário e por ele recebe o pagamento. Este meio rural adquire bens necessários para produzir, assim como seu conforto e até certo ponto para sua, digamos, sobrevivência (discutível esta afirmação).

Há de se considerar que a agropecuária contribui de forma significativa para a balança comercial. Ao gerar divisas com o que se exporta. Exportações estas agregadas ou não de valores.

Mas tem-se que levar em conta que a agropecuária com todas as suas Cadeias Produtivas e seus complexos sistemas produtivos, tem uma responsabilidade ímpar no item social. Da agropecuária depende o que de ora em diante iremos chamar de SEGURANÇA ALIMENTAR. Um conceito que em geral provoca algumas discussões e indagações em relação ao significado da palavra.

Por exemplo:

v O que deve-se entender por Segurança Alimentar?

v A Segurança Alimentar pode ser entendida como a produção suficiente para alimentar uma família rural?

v Significa que uma nação deve providenciar reservas monetárias para poder importar alimentos para seu povo? Como acontece com os países produtores de petróleo que não produzem alimentos em quantidades suficientes para alimentar seu povo?

v Ou ainda a nação deve entender que a classe agropecuária tem o dever e a responsabilidade social de produzir alimentos, primeiro para alimentar a nação e o excedente para ser exportado?

v Ou pior ou melhor, destinar percentuais de suas áreas estratégicas, para a produção de alimentos básicos, que seriam destinados à política de Segurança Alimentar?

v Quem sabe não seria a política de confisco alimentar, representado pela retenção de uma parte da produção agropecuária, para saciar a fome dos que irão fazer parte do programa de Segurança Alimentar?

Não se pode avançar em relação ao assunto, uma vez que haveria uma atmosfera confusa e quando não instigante, em relação a um princípio básico: sobrevivência. Desde que a humanidade se entende por um ou mais agrupamentos de seres humanos multirraciais, sempre se buscou a comida, o alimento como base de se poder manter os grupos sociais humanos. Sempre se buscou a alimentação básica sob pena de perecermos de fome, da onde então a dedução que a principal preocupação de uma nação, do Estado organizado e representativo, consiste em conseguir que a comida chegue à mesa, aconteça o que acontecer. Ficar sem energia elétrica, sem automóveis e demais instrumentos da moderna tecnologia significaria sem dúvida uma crise gravíssima para qualquer sociedade. Mas não ter alimentos seria convergir para o inevitável desaparecimento desta sociedade.

Uma Nação não pode deixar de se preocupar com o alimento que irá saciar a fome. Em especial para as camadas menos favorecidas. O Brasil é um dos poucos países continentais que vive, experimenta e sofre este tipo de problema. O paradigma da fome é tão evidente que chega a ofender. Sabe-se que muitos países em constantes guerras internas sacrificam gerações não só pelas balas das armas, mas também pela fome.

E a pergunta se faz presente.

Mas o Brasil está enfrentando algum tipo de guerra?

Não fosse suficiente esta indagação, haveria a necessidade de se insistir, mas sofremos nós algum tipo de catástrofe ambiental ou comoções internas, para que se morra de fome em um País onde em se plantando tudo dá? Ou é proposital este tipo de genocídio político alimentar?

Não é por acaso que os alimentos tenham sido empregados como armas nas guerras européias e até atuais, da onde se deduz que o conceito de Segurança Alimentar ganhou grande importância na Segunda Guerra Mundial, quando a Europa devastada por esta enorme beligerância, padeceu por falta de comida, e até nos dias atuais, como se vê no continente africano a fome é concorrente direta com as minas e as balas, usadas nas guerras internas e tribais.

E a indagação permanece. E o Brasil?

Seria necessário fazermos uma pausa neste assunto, fome, e nos posicionarmos em relação aos Estados Unidos.

A economia norte americana, a principal potência agropecuária do mundo permite colocar em perspectiva, porque os americanos concedem tantos subsídios para a produção agropecuária. Análises que servirão para compreender melhor o tema que ora estamos abordando.

Os americanos dão um valor imenso para as famílias que vivem no campo. A relação atual entre o número de pessoas que vivem no campo em relação as que vivem nos centros urbanos é de 1% do total populacional norte americano. Mas acontece que se esta população de 1% por acaso abandonasse o campo, não haveria nenhum tipo de problema, seja ele social ou econômico. Estes 1% seriam facilmente absorvidos pelos centros urbanos sem o menor problema. Mesmo porque o PIB agropecuário norte americano é hoje bem baixo se comparado com o PIB agropecuário brasileiro. Mas o PIB total norte americano é muito superior ao PIB brasileiro. Então temos uma situação em que a economia gerada pela agropecuária norte americana, comparada com a economia gerada pela indústria e comércio norte americano, não tem comparação.

Mas acontece que esta economia agropecuária norte americana é de suma importância. Pois ela faz parte do mercado industrial de bens de capital tão importante como a indústria do aço (capenga e deficiente), da indústria de máquinas e veículos agrícolas, do complexo petroquímico e o mais importante de tudo isto é o que se relaciona com os enormes vínculos com a área de conhecimentos, em que se projetam grandes possibilidades econômicas para o conjunto desta mesma sociedade: A MANIPULAÇÃO DE GENES DAS PLANTAS E DOS ANIMAIS.

Este ramo de negócio gera exportações da ordem de US$ 50.000.000.000,00 por ano, os quais representam uma movimentação de vendas ao exterior da ordem de US$ 680.000.000.000,00 por ano.

Romão Miranda Vidal, Médico Veterinário

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Médico Veterinário - Autônomo

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