Agronline
Página inicial dos artigos
Início
 
Agricultura
 
Agroinformática
 
Desenv. Rural
Economia Rural
 
Pecuária
 
Inovação tecnológica frente aos desafios do agronegócio

02/01/2005

A geração, adaptação, transferência e adoção das inovações tecnológicas pelo setor produtivo agropecuário têm tido papel preponderante no sucesso do agronegócio brasileiro. Foram criadas e incorporadas pelos agricultores centenas de variedades de grãos, hortaliças, forrageiras e fruteiras adaptadas às diferentes condições de solo e clima. Desenvolveram-se linhagens e cruzamentos superiores de animais com expressivos ganhos de produtividade, rusticidade e tolerância a doenças e as práticas de manejo do processo produtivo, adequadas às diferentes condições de recursos naturais e socioeconômicos.

Esses avanços têm possibilitado ao agronegócio ocupar posição de destaque no processo de desenvolvimento brasileiro. Há provimento adequado de alimentos no mercado interno, oferta de matéria-prima para a agroindústria, movimentação da indústria de insumos e do setor de prestação de serviços e constitui-se em fator relevante na geração de divisas, sendo uma das âncoras das nossas exportações.

O setor é hoje responsável por cerca de 33% do PIB nacional, responde por quase metade dos valores gerados na exportação e emprega em torno de 37% da população economicamente ativa . A safra de grãos, que em 1975 era de 38 milhões de toneladas, vem superando seus próprios recordes a cada ano, registrando em 2004, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 119 milhões de toneladas e uma previsão de safra para 2005 de 134 milhões de toneladas segundo o FIBGE. As exportações do agronegócio este ano já totalizam US$ 36 bilhões.

Contudo, não se deve pensar que o agronegócio é coisa apenas de grande produtor rural. Dele participam desde os agricultores altamente competitivos até os agricultores familiares. A principal diferença está na escala de produção; e os pequenos só sobreviverão caso participem de processos de cooperação entre diversos atores da cadeia produtiva, principalmente entre os próprios agricultores familiares. Não resistirão os agricultores, pecuaristas e agroindustriais que não se adequarem às novas exigências do mercado, o que significa incorporarem inovações tecnológicas e conhecimentos que os tornem mais competitivos. Eis aqui a relevância dos investimentos em Ciência & Tecnologia.

Há duas abordagens principais em um projeto de pesquisa agrícola, pecuária ou florestal: uma é aquela em que se identificam problemas a serem resolvidos e exige respostas diretas ao setor produtivo; a outra visa antecipar-se aos desafios futuros ou a buscar diferenciais competitivos de produtos “in natura” ou processados. Esta última não se viabiliza a não ser por meio de um planejamento estratégico de médio prazo (10 a 15 anos), que direcione os trabalhos de modo objetivo.

Para a primeira, as instituições de pesquisa agropecuária, como é o caso da Embrapa, das Organizações Estaduais e Pesquisa e das Universidades, já utilizam mecanismos de identificação junto ao setor produtivo, mas a segunda é aquela que vai efetivamente fazer a diferença no futuro e para a qual na maioria das vezes é mais difícil obter recursos.

Para o futuro temos alguns desafios: desenvolvimento de biotecnologias com biossegurança, respeitando tanto as vantagens conferidas aos produtores, bem como as exigências dos consumidores. O mais difícil é identificar em que produtos e em que tipo de características se quer investir, e como se deve estabelecer prioridades e, principalmente no caso de entidades do setor público, definir quais os produtos que trarão maiores benefícios sociais e ambientais, além dos econômicos. Enquanto a primeira onda da biotecnologia comercial dos países desenvolvidos trata da transferência de genes para resistência a insetos e herbicidas, a segunda onda, mais adequada aos países em desenvolvimento, deve melhorar a adaptação dos cultivos agrícolas à seca, aos solos de baixa fertilidade, aos solos salinos ou com toxidez de alumínio, entre outros. Essas iniciativas permitirão a exploração comercial de áreas já degradadas e, ao mesmo tempo, diminuirão a pressão pela ocupação de áreas com vegetação nativa.

Páginas: anterior 1 2 próxima Topo da página


Clayton CampanholaEnvie um email!
Diretor Presidente da Embrapa - EMBRAPA

  Enviar este artigo por e-mail  Imprimir este artigo  Como citar esse artigo 
:. COMENTÁRIOS
    Clique aqui!  E deixe seu comentário sobre o artigo!

:. ARTIGOS RELACIONADOS

Artigos por assunto

Administração Agribusiness Agricultura de Precisão Agricultura Familiar Agricultura Urbana Agroecologia e orgânicos Agroindústria Agronegócio Agropecuária Familiar Agropesquisa Alimentação Apicultura Avicultura Boi verde e Pecuária orgânica Bovinocultura Caprinocultura Ciência florestal Climatologia Comércio internacional Comunicação Contaminação de águas Cooperativismo Crédito agrícola Crédito Rural Crise Energética Desenvolvimento Rural Desenvolvimento Sustentável Ecologia Educação Exportação Extensão Fauna Silvestre Fertilidade do Solo Fertilidade e conservação do solo Fitopatologia Fitotecnia Forrageiras Fruticultura Genética Horticultura Internet na agricultura Irrigação e Drenagem Marketing Meio ambiente Nutrição animal Ovinocultura Paisagismo Pecuária Leiteira Piscicultura Plantas Daninhas Plantas Medicinais Plantio direto Pragas e doenças Rastreabilidade Animal Sanidade animal Segurança Alimentar Seguro agrícola Sementes Suinocultura Tecnologia Transgênicos Zoonoses
Copyright © 2000 - 2017 Agronline.com.br