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Interação de Genótipos com Ambientes

08/07/2003

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A Interação de Genótipos com Ambientes (GxE ou IGE – do inglês Genotype x Environment) pode ser definida como sendo o efeito diferencial dos ambientes sobre os genótipos (CHAVES, 2001). De outro modo, resulta da resposta diferencial dos genótipos à variação ambiental.

Adotando-se um maior rigor lingüístico, o termo interação não mostra-se adequado, pois significa “ação que exerce mutuamente entre duas ou mais coisas, ou duas ou mais pessoas; ação recíproca” (FERREIRA, 1995). Assim, por haver apenas a ação dos ambientes sobre os genótipos, e não destes sobre os ambientes, seria mais adequado o uso da expressão “Diferenciação de Genótipos nos (pelos) Ambientes” (DGE). Deste modo, o termo diferenciação seria mais adequado, por ser “o ato ou efeito de estabelecer diferença ou distinção entre; tornar diverso; diversificar; distinguir” (FERREIRA, 1995).

Devido ao uso já consolidado da expressão Interação de Genótipos com Ambientes, este será adotado e indicado por interação GxE, ou apenas GxE.

É um assunto de alcance generalizado e relacionado com todos os organismos vivos, desde humanos até plantas e bactérias. Sua importância pode ser evidenciada pelo enorme volume de informação existente, quer seja na forma de artigos científicos, quer seja como anais de congressos/simpósios ou livros/capítulos de livros. Inicialmente a maior ênfase era dada às análises estatísticas utilizadas para comparar as performances de diferentes genótipos em diferentes ambientes, e em métodos estatísticos para caracterizar genótipos como estáveis (performance consistente) ou instáveis (performance inconsistente) nos diferentes ambientes.

Entretanto, isto tratava dos sintomas e não das causas do problema. O relacionamento entre a estatística e a interação GxE pode ser vista como a existente entre o bêbado e o poste de luz; serve para suporte, não para iluminação (KANG, 1998). Para este mesmo autor, GxE é um tema prioritário para o melhoramento, e não apenas um assunto biométrico. Os melhoristas desejam saber quanto de um ganho genético obtido em um ambiente será mantido em outro.

O melhoramento de plantas provê soluções genéticas para o aumento de produtividade em diferentes culturas, quer seja utilizando fatores edafoclimáticos, alterando a relação com pragas (ressalte-se que de acordo com a Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais, promulgada pelo Decreto n° 318, de outubro de 1991, o “termo praga significa qualquer forma de vida vegetal ou animal, ou qualquer agente patogênico daninho ou potencialmente daninho para os vegetais ou produtos vegetais”), mudanças na economia, demandas de consumo ou políticas governamentais (SCOWCROFT, 1988; citado por KANG, 1998). É, portanto, uma associação de arte e ciência (JENSEN, 1983; citado por KANG, 1998). Arte porque o melhorista deve tomar decisões e realizar julgamentos com critérios pessoais, enquanto que a ciência inclui conhecimento e aplicação de princípios genéticos, bioquímicos, fitopatológicos, de solos, fisiologia, ecologia, estatística e muitos outros. Assim, por ser um processo multidisciplinar, é recomendável o trabalho em equipe, sob a coordenação de um melhorista, que possui uma visão mais ampla de todo o processo.

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Márcio Gomes SquilassiEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPATC

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