Agronline
Página inicial dos artigos
Início
 
Agricultura
 
Agroinformática
 
Desenv. Rural
Economia Rural
 
Pecuária
 
Mercado de carne: riscos e oportunidades

17/10/2005

:. Do mesmo autor
Coleta a granel de leite: problemas e vantagens

O estado do Acre, a partir da conclusão do asfaltamento da Rodovia Transoceânica, poderá se tornar de grande importância para as exportações de carne bovina brasileira, especialmente para o Mercado Peruano.

O Estado, atualmente, situado dentre os últimos a contribuir com a produção pecuária do país, diante da perspectiva de melhoria na infra-estrutura da estrada para o Pacífico, além de poder inverter essa posição, será um corredor de exportação, capaz de angariar 11% da fatia de exportação para o Peru.

O Brasil exportou no ano passado US$ 2,63 bilhões em carne bovina industrializada e in natura podendo ultrapassar os U$S 3,0 bilhões no próximo ano, enquanto o Acre, nada exportou para outros países.

De acordo com números do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) esses números correspondem a 1,993 milhão de toneladas, o que poderá colocar o Brasil, pelo terceiro ano consecutivo, como o maior exportador de carne bovina do mundo.

Os números acima permitem prever que o estado e o segmento da pecuária bovina serão beneficiados com a conquista desse mercado, por isso, é importante que o Governo do Estado e o setor produtivo estabeleçam políticas públicas audaciosas visando a sanidade animal do rebanho bovino local, oferecendo benefícios para os produtores como: redução de ICMS aos produtores que estejam com Propriedades Certificadas (livre de brucelose e tuberculose) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aplicação de impostos diferenciados para aqueles que abatem bovino precoce, use técnicas reprodutivas (inseminação artificial, transferências de embriões e fertilização in vitro) e fazem uso do pastejo rotacionado, para alimentação do rebanho reduzindo a pressão de derrubada das florestas para formação de novas pastagens. Essas tecnologias têm sido amplamente difundidas pela Embrapa Acre em parceria com o Governo do Estado junto a pequenos, médios e grandes produtores.

O Estado, o Mapa, o Fundepec e o segmento produtivo da pecuária aplicaram no ano de 2004, cerca de R$ 8,0 milhões em ações de defesa sanitária nos 2,2 milhões de bovinos do estado para que o rebanho passasse a condição de ser Livre de Febre Aftosa com Vacinação.

Pelo alto custo para alcançar essa condição e o estado ter uma fronteira seca com a Bolívia e o Peru, países, segundo a Organização Internacional de Epizootias (OIE) em condições sanitárias inferiores ao Brasil, é importante que a fiscalização seja mais intensa e os controles possam preparar os pecuaristas locais para superar os sistemas de produção pecuários desses países vizinhos ou competir com igualdade com estado de Rondônia, onde o Programa Estadual de Sanidade do rebanho está mais consolidado.

O controle com rigor da sanidade é de extrema importância, tendo em vista que no Brasil, fazendas são constantemente auditadas por instituições de inspeção sanitária animal. Em agosto passado o “Food and Veterinary Office" (FVO), uma das instituições mais temidas da União Européia, inspecionou o rebanho brasileiro para observar se as condições de criação dos bovinos estão dentro das exigências dos compradores externos. Essas instituições observam todos os detalhes de uma criação, especialmente os de natureza zoosanitárias.

Por esses motivos é importante que os criadores e as propriedades do Acre se adaptem aos processos de controle de sanidade e zootécnico do rebanho, para que não surja nenhuma suspeita de doenças, às vezes, impostas pelos compradores externos, como barreiras sanitárias, fato que poderá comprometer a boa condição sanitária em que se encontra o rebanho bovino do Acre e de outros sistemas de produção de carne no País.

Não podemos esquecer o foco de febre aftosa que ocorreu ano passado em São Gabriel da Cachoeira (AM) fazendo com que as exportações fossem temporariamente interrompidas, e agora, o de Eldorado (MS) que comprometerá profundamente as exportações que já estavam alcançando quase U$S 1,7 bilhão.

Por fim, com muita competência, nos tornamos o maior exportador de carne bovina do mundo e podemos dizer ainda, que o rebanho brasileiro é uma “vitrine” e que os trabalhos realizados nos campos do melhoramento genético, biotecnologia, sistemas confinados ou a pasto (caso do Acre) são de ótima qualidade e por esses motivos, não podemos perder o controle sistemático e contínuo da sanidade animal, para que nossos sistemas de produção sejam cada vez mais competitivos e sustentáveis.

Francisco Aloísio CavalcanteEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFAC

  Enviar este artigo por e-mail  Imprimir este artigo  Como citar esse artigo 
:. COMENTÁRIOS
    Clique aqui!  E deixe seu comentário sobre o artigo!

  • EXPORTAÇÂO DE CARNE BOVINA
    ACHO O MERCADO BRASILEIRA BASTANTE DESENVOLVIDO E COMO UMA CAPACIDADES EXTRÀORDINARIA PRA SE MANTE SEMPRE NA AUTA....PARABENS A TODOS OS QUE FAZEM PARTE DESSE MERECADO...
    MARIE - 13/01/11 11:17

  • mercado da carne
    boa tarde Não sei te dize o consumo mais sei que as estatisticas quanto ao numero de animas estão erradas e que o consumo vai se torna maior e mais caro por não ter a quantidade de boi que achavam que teria, nem assim os frigorificos vam consegui melhora o preço do geito que os pecuarista esperam.
    claudinei pereira - 19/03/08 03:43

  • Mercado Interno de Carne Bovina
    Alguem sabe me informar o consumo de carne bovina por estado da federação, em especial o ceará. E melhor seria o quanto é o volume importado pelo estado por outros estados.
    Expedito Pessoa - 04/11/06 19:41

  • Monografia
    Esse artigo foi de extrema importancia para o desenvolvimento do meu Trabalho de Conclusão de curso. O tema é: Análise competitiva da ovinocultura de corte no Estado do Tocantins.
    Eudimara Rodrigues dos Santos - 28/07/06 12:07

  • :. ARTIGOS RELACIONADOS

    Artigos por assunto

    Administração Agribusiness Agricultura de Precisão Agricultura Familiar Agricultura Urbana Agroecologia e orgânicos Agroindústria Agronegócio Agropecuária Familiar Agropesquisa Alimentação Apicultura Avicultura Boi verde e Pecuária orgânica Bovinocultura Caprinocultura Ciência florestal Climatologia Comércio internacional Comunicação Contaminação de águas Cooperativismo Crédito agrícola Crédito Rural Crise Energética Desenvolvimento Rural Desenvolvimento Sustentável Ecologia Educação Exportação Extensão Fauna Silvestre Fertilidade do Solo Fertilidade e conservação do solo Fitopatologia Fitotecnia Forrageiras Fruticultura Genética Horticultura Internet na agricultura Irrigação e Drenagem Marketing Meio ambiente Nutrição animal Ovinocultura Paisagismo Pecuária Leiteira Piscicultura Plantas Daninhas Plantas Medicinais Plantio direto Pragas e doenças Rastreabilidade Animal Sanidade animal Segurança Alimentar Seguro agrícola Sementes Suinocultura Tecnologia Transgênicos Zoonoses
    Copyright © 2000 - 2017 Agronline.com.br