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Mudança cultural coletiva: o pré-requisito da inovação no Brasil

06/12/2007

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No contexto da globalização e do livre mercado em que a competição é, de certo modo, inevitável, a dinâmica de qualquer empreendimento econômico pode ser analiticamente interpretada por meio da lógica schumpeteriana de “destruição criativa”, conforme a qual a força motriz do progresso é a inovação, evidenciada por produtos novos, processos novos e/ou modelos de negócios novos. Em outras palavras, a substituição de formas antigas por formas novas de produção e consumo é o fator fundamental da competitividade. Nesse sentido, a inovação se identifica como um imperativo para as empresas sobreviverem e ganharem cada vez mais espaço nos mercados nacionais e internacionais.

A partir dessas considerações, é possível entender as preocupações dos atores do sistema brasileiro de inovação acerca da relativamente baixa posição do Brasil no ranking dos países detentores de patentes. Como se sabe, a patente, sendo um meio de garantia de direito exclusivo sobre produtos, processos e/ou modelos novos, revela-se um indicador de inovação, amplamente aceito tanto pela academia quanto pelo empresariado. Apesar de apresentar um expressivo número de publicações científicas, o Brasil tem poucas patentes. Tal situação mostra que os conhecimentos, disponíveis no País, não estão sendo satisfatoriamente convertidos em insumos para a produção de bens e serviços.

Ao falar de conhecimentos e insumos produtivos, lembra-se logo de dois atores fundamentais do sistema nacional de inovação. Por um lado, encontra-se a organização de pesquisa, cuja missão essencial é gerar e transferir conhecimentos. Por outro lado, há a empresa de produção, cujo papel fundamental é adotar conhecimentos e convertê-los em insumos produtivos. A distinção entre esses dois atores, em termos de atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), é bem evidente no Brasil, onde a geração de conhecimentos científicos se concentra quase exclusivamente nas organizações de pesquisa (universidades, centros e institutos).

Segundo dados encontrados na literatura, as universidades detêm aproximadamente 70% dos cientistas e engenheiros ativos em P&D. Tradicionalmente, elas têm sido vistas como lugares exclusivos das atividades de pesquisa científica e tecnológica.

Os centros e institutos de pesquisa, reunindo atualmente cerca de 10% dos cientistas e engenheiros ativos em P&D, também passaram a ser reconhecidos como expressivos contribuintes para o progresso científico e tecnológico do País. O exemplo, freqüentemente citado, é a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que, ao fornecer conhecimentos e tecnologias ao longo de mais de três décadas, tem sido um ator incontestável na consolidação da eficiência e sustentabilidade da produção agropecuária e agroalimentar no Brasil.

O baixo nível de dedicação das empresas em P&D se evidencia sobretudo quando o Brasil é comparado com outros países, em termos de percentagem do total dos profissionais ativos em P&D. Enquanto os cientistas e engenheiros, que trabalham nos departamentos de P&D de empresas são de quase 20% no Brasil, eles representam, por exemplo, cerca de 80% na Coréia do Sul e nos Estados Unidos.

Na última década, foram realizadas diversas ações favoráveis à acumulação científico-tecnológica no Brasil. Por exemplo, foram instituídas importantes leis, tais como a Lei de Propriedade Intelectual, a Lei de Biossegurança, a Lei do Bem e a Lei da Inovação. Foram formados anualmente milhares de doutores, aumentando continuamente a quantidade e qualidade dos recursos humanos. Também, foram crizados fundos setoriais para servir de instrumentos de financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no País.

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Andre Yves CribbEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CTAA

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