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O que pedem os agricultores e o que podem os governos: mendigar dependência ou proporcionar emancipação?

25/03/2001

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Nos países da América Latina existe um evidente e crescente desequilíbrio entre:

a) as múltiplas e urgentes necessidades de milhões de agricultores (os quais com todo o direito exigem terra suficiente, irrigação, maquinária, insumos modernos, crédito, preços mínimos, subsídios, etc.); e

b) as decrescentes possibilidades dos debilitados, deficitários e endividados governos em satisfazê-las.

Como se isto fosse pouco, os escassos recursos que os governos destinam ao setor agropecuário, tornam-se ainda mais insuficientes porque são destinados de maneira contraproducente a alimentar burocracias improdutivas e a "dar o peixe várias vezes ao invés de ensinar a pescá-lo uma única vez". Este pseudo paternalismo contribue a perpetuar a dependência que os agricultores têm do Estado, e desta forma, a agudizar ainda mais o referido desequilíbrio.

Os governos não querem ou não podem?

Devido a este crescente desequilíbrio entre "o que pedem os agricultores e o que podem os governos", continuar formulando esgotadas propostas paternalistas - por melhores que sejam as intenções de quem o faça - é uma atitude que causa mais malefício que benefício aos agricultores. Tais propostas desorientam os produtores, estimulam a passividade, e na verdade os enganam, ao sugerir-lhes que continuem esperando por recursos e decisões que os governos, mesmo que quizessem, não poderíam proporcionar-lhes. Este desequilíbrio é tão evidente que os "remédios" convencionais perderam a sua eficácia e vigência. O modelo chegou a tal grau de esgotamento que já não é possível recuperá-lo; simplesmente se faz necessário substituí-lo por uma estratégia educativo-emancipadora.

Com tal fim os governos, conscientes de que "não estão em condições de fazer tudo por todos os agricultores sempre", inexoravelmente terão que assumir um papel essencialmente emancipador de dependências. Com este propósito deverão delegar aos próprios agricultores a solução dos seus principais problemas, em vez de fomentar a nova ilusão de que o mercado e as cadeias agroalimentares (agribusiness) o farão pelos agricultores; porque o mercado e o agribusiness estão preocupados em resolver os seus próprios problemas e não necessariamente os dos produtores rurais.

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Polan LackiEnvie um email!
Pesquisador - FAO

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  • O que pede os agricultores e o que pode os governos
    Gostaria de iniciar meu comentário fazendo algumas lembranças do cotidiano de um agricultor familiar, ou mesmo o médio produtor. O que é que eles tem? quase nada. não tem carro que preste, não tem moto nova, não tem saúde, não tem educação e com raras excessões, é regra geral em todo o Brasil. A produção do agricultor não tem valor. O agricultor é o vivente teimoso que tem mais inimigos na face da terra: pragas na lavoura vem de todos os lados e de totos os tipos e diversidades.Além das pragas e doenças ou chove demais ou faz seca. Parece que o agricultor nasceu para sofrer e que a saida é abandonar o campo, correr para a cidade, virar flanelinha, pedinte, assaltante,chera crak, em fim preso. Ou sina medonha! mas, o campo tem um feitiço que fica chamando um ou outro para lá se dirigir em busca de uma vida tranquila, longe dos roncos dos motores, businas e agitações das cidades. Aqui acolar um volta para o campo quebra a cara e torna a voltar para a cidade, liso e devendo. Os governos recebem os impostos de toda a sociedade para por equilíbrio nesse caos,nessa desordem instalada.Mas os governos não conseguem porque o dinheiro é disperdiçado, desviado, roubado em várias estações antes de chegar ao seu objetivo final. vou ter que parar por aqui pois o dever me chama, talvez em outro momento termine meu raciocínio.
    Pedro Paulo Sampaio de Lacerda - 27/01/12 22:35

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