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O Sistema Plantio Direto e as doenças de plantas

18/08/2009

O conceito de plantio direto nos EUA foi introduzido nos anos 60, sendo que no Brasil o Sistema Plantio Direto (SPD) surgiu na década de 70, no Rio Grande do Sul e no Paraná, principalmente nas regiões de Castro e Ponta Grossa. Com a evolução na indústria de máquinas e de herbicidas, a partir do final dos anos 80, houve uma expansão significativa do uso do SPD na Região Sul e mais recentemente, na Região Centro-Oeste.

O SPD é a forma de manejo conservacionista que envolve todas as técnicas recomendadas para aumentar a produtividade, conservando ou melhorando continuamente o ambiente. Fundamenta-se em três premissas básicas: não revolvimento do solo, formação de palha e rotação de culturas.

Com a expansão do SPD para diversas regiões do Brasil e, conseqüentemente, o surgimento de doenças de plantas de uma forma mais expressiva, há tempos discute-se o porquê do aumento dessas enfermidades neste sistema. O SPD realmente aumenta a ocorrência de doenças? Considerando que o SPD cria condições favoráveis à sobrevivência e multiplicação dos fitopatógenos necrotróficos (que se alimentam de tecidos mortos – agentes causais de manchas foliares e podridões radiculares) nos restos culturais deixados no solo, é de se esperar um aumento da incidência de doenças. Isto nos leva a concluir que este sistema contribui de forma significativa na sobrevivência desses organismos. Entretanto, considerando que o SPD pressupõe a adoção da rotação de culturas, e que esta assume caráter imperativo na sustentabilidade desse sistema, em geral não se observa o aumento da ocorrência de doenças quando a rotação é adotada, utilizando espécies não hospedeiras. Por outro lado, caso se tente fazer o plantio direto em monocultura, todas as doenças causadas por parasitas necrotróficos aumentam de intensidade. Deve-se ressaltar quer o SPD não afeta a ocorrência ou a gravidade das doenças causadas por parasitas biotróficos (que se alimentam de tecidos vivos – agentes causais de ferrugens, oídios, carvões e viroses).

Do ponto de vista fitopatológico e epidemiológico, a sustentabilidade do SPD pauta-se em três técnicas integradas de manejo: utilização de sementes sadias e tratadas com fungicidas; uso de cultivares resistentes e adoção da rotação de culturas. Considerando a possibilidade de não se dispor de cultivares resistentes a várias doenças de importância econômica, e também ao fato de que nem sempre uma cultivar resistente a uma doença é a mais aceita sob o ponto de vista agronômico, a falta de cultivares resistentes não deve ser fator limitante para a adoção do SPD. Entretanto, a utilização de sementes sadias e tratadas com fungicidas e a adoção da rotação de culturas devem ser obrigatórios no SPD. Com isto, evita-se a introdução de patógenos em campos de cultivo instalados neste sistema, bem como a sua reintrodução em áreas cultivadas em SPD nas quais a doença já ocorreu, mas, em função da adoção de práticas eficientes de controle (rotação de culturas, por exemplo), ficou livre da mesma, uma vez que não há restos culturais infectados servindo como fonte de inóculo.

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Augusto César Pereira Goulart Envie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAO

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