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Oportunidades e ameaças da visibilidade

24/09/2004

:. Do mesmo autor
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Mais adubo para o agronegócio

Brasil que tem dado certo

O site www.iconebrasil.org.br reúne uma série de artigos, notícias, publicações e estatísticas sobre o tema comércio e negociações internacionais. O Ícone é um instituto que desenvolve estudos sobre o tema e é mantido por diversas associações (exportadores de carnes, de frango, açúcar, traders, ABAG, entre outros). O tema é atual, oportuno, desafiador, necessário, ou qualquer outro adjetivo que denote a relevância do comércio exterior para o Brasil.

Em um dos artigos, Marcos Jank, Presidente do Ícone, aponta os “riscos do sucesso” do agronegócio brasileiro. Ele cita 4 fatores que podem abalar o agronegócio brasileiro: infra-estrutura, defesa sanitária, direitos de propriedade e problemas de visibilidade.

A infra-estrutura tem se mostrado um problema crônico, pelo aumento de produção e das exportações sem acompanhamento de investimento no setor de logística, armazenamento, energético, etc. Isto pode causar morte lenta. Por outro lado, descuido na defesa sanitária pode causar morte súbita em vários setores do agronegócio. Um único caso de aftosa ou gripe aviária hoje em Minas Gerais abalaria as exportações de carnes, lácteos e frango do Brasil inteiro. As invasões de terra vão de encontro aos direitos primordiais de funcionamento da sociedade. A reforma agrária, irracionalmente, tem sido debatida com forte viés ideológico. Por último cita o “mal da visibilidade”.

O crescimento da fatia de mercado internacional de produtos do agronegócio do Brasil começa a incomodar. O Brasil já possui o maior saldo agrícola do mundo. Somos importantes exportadores, perdendo para EUA e UE, porém com taxas maiores de crescimento nas exportações. Apenas o México e o Chile têm taxas maiores, porém menos expressivos em valor das exportações. Somos os maiores exportadores de café, café solúvel, soja em grão, suco de laranja, açúcar, carne bovina, tabaco. Somos segundo no ranking de exportadores em farelo e óleo de soja e aves e estamos em quarto lugar nos mercados de milho e algodão.

A Newsweek reservou ao agronegócio nacional uma capa no início deste ano. Na reportagem, a revista aponta o dinamismo do setor. O painel do Algodão na OMC aponta para um desfecho favorável ao Brasil, e o do açúcar segue na mesma direção. Tornamo-nos líderes do G-20 também.

Com este cenário podemos fazer duas análises. A primeira, a análise da ameaça, como fez em seu artigo o Marcos Jank, em que ele chama de “mal da visibilidade”. Os grandes concorrentes internacionais, como num xadrez, irão monitorar cada movimento nosso, e não apenas os deslizes comuns de mercado. Irão nos acusar de desmatar a Amazônia, o cerrado, de secar rios, de utilizar mão-de-obra escrava, etc. Uma verdadeira guerra de propaganda, assim como nas guerras de armas. Só que aqui a arma é dinheiro (o que a torna muito mais perigosa). Fatos isolados serão amplificados e noticiados como regra. O sistema agroindustrial deve definir um sistema de “blindagem” para enfrentar estas “pedradas” que virão. Devemos ter respostas ágeis e convincentes (com estatísticas confiáveis e atualizadas), empresas devem ter maior atenção com certificações com alto grau de respeitabilidade, que contemplem processos de produção com responsabilidade social, ambiental, segurança alimentar, padrões de qualidade internacional, entre outras inúmeras ações.

A segunda análise é a das oportunidades. Investidores estrangeiros começam a enxergar oportunidades no agronegócio brasileiro. Algumas indústrias de máquinas agrícolas já estão transformando o Brasil em plataforma de produção e exportação. Indústrias de insumos cada vez mais serão alvos de investimentos internacionais. Fazendeiros ianques e chineses já começam a desembarcar para comprar terras e produzir soja, algodão, etc, além de estarem criando fundos de investimentos, condomínios de produção ou qualquer outro arranjo visando produzir em nossas bandas. Indústrias contarão com aporte de capital estrangeiro, aquisições de grandes redes varejistas já começam a acontecer. Isto é bom. Com a baixa capacidade de investimento e a cara e pouca disponibilidade de crédito, isto é mais uma fonte de injeção de dinheiro em nossa economia, favorecendo o balanço de pagamentos, gerando empregos e renda, redistribuindo espacialmente as riquezas, gerando um circulo virtuoso.

Portanto mostraremos competência, de fato, se soubermos evitar estas ameaças e aproveitar melhor as oportunidades.

José Eduardo Ferreira da SilvaEnvie um email!
Diretor de Comercialização - SEAPA - MG

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