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Quem melhor combate a fome?

11/02/2008

Batata, trigo, mandioca ou inhame? Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a batata será a principal arma contra a pobreza e a fome neste ano. Se para outros países em desenvolvimento a opção pelo alimento é encarada como a melhor solução graças às condições favoráveis de plantio e ao seu custo reduzido, além de ser rica em carboidratos, proteínas e vitamina C, no Brasil a batata enfrenta a concorrência de outras espécies de tubérculos e raízes que podem sair ainda mais em conta para o bolso da nossa população.

Batata: A ONU declarou 2008 o Ano Internacional da Batata porque ela é essencial no combate à fome e à pobreza. Sua produção é ideal em regiões que possuam escassez de terra e abundância de mão-de-obra, condições que caracterizam boa parte dos países em desenvolvimento. Além disso, o plantio do tubérculo produz alimentos mais rapidamente e em condições climáticas mais adversas que qualquer outro grande cultivo. Em termos de quantidade de produção, a batata é, depois do milho, do trigo e do arroz, o alimento mais plantado no mundo. Mais da metade da produção mundial do tubérculo provém de países em desenvolvimento. Diferentemente de seus colegas do BRIC (grupo formado pelos quatro mais importantes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), no Brasil a batata não teve a mesma sorte, pois aqui a proteína animal é barata (produção anual de 300 mil toneladas) e o consumidor prefere levar para casa um quilo de frango a um quilo de batata.

Trigo e Mandioca: a mudança da maneira de vender pão francês levou o brasileiro a perceber o quanto é caro o valor médio de R$ 6,00 o quilo do tradicional pãozinho e a sua relativa importância nutricional perante outros alimentos. A farinha de trigo responde por 20% da composição do preço do pão, portanto, qualquer variação de preço para baixo é bem vinda. Mas, infelizmente, previsões nada otimistas para 2008 já estão presentes para as principais culturas que fornecem farinha para a fabricação de pão: o trigo e o milho. Até a debatida mandioca cuja obrigatoriedade da adição de 5% a 20% de fécula em toda a farinha de trigo do pão francês, que não foi aprovada, não promete boa safra para o próximo ano.

Inhame: O inhame (Dioscorea sp.), cujo custo médio do quilo fica em torno de R$ 1,80 – contra os cerca de R$ 2,20 do quilo de batata -, desempenha importante papel socioeconômico no Nordeste do Brasil, especialmente nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia e Maranhão, considerados os maiores produtores da região, prestando enorme contribuição ao desenvolvimento rural. Essa espécie produz tubérculos de alto valor nutritivo e energético, constituindo um alimento básico para o consumo humano, já sendo utilizado na alimentação de todas as classes da sociedade brasileira. Testes, de laboratório, da farinha de inhame no preparo de farinhas mistas panificáveis evidenciaram a possibilidade de seu uso em substituição ao trigo e à mandioca, com maiores vantagens. Apesar da potencialidade de benefícios que a cultura do inhame representa para o negócio agrícola brasileiro, sua produtividade ainda continua baixa, em torno de 11.141 quilogramas por hectare. A estimativa da área plantada da Região Nordeste é de 11 mil hectares e a produção de 120 mil toneladas. A análise de tendências dos últimos 15 anos revela que a área plantada vem sendo reduzida anualmente, em proporção elevada de 20%.

A utilização da farinha de inhame, que desde 2001 é submetida a testes com resultados satisfatórios, no desenvolvimento de um pão tipo francês traz as seguintes vantagens:

- sem glúten: diferentemente do trigo, do centeio, da cevada e da aveia, o amido do inhame não possui glúten (ideal para doentes alérgicos celíacos);

- vitaminas: apoiado na idéia patrocinada pelo Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan) que lançou o projeto Pão Saúde, aditivado com ferro e vitaminas do complexo B, o pão de inhame terá incorporado (devido às qualidades naturais do inhame), proteínas, fósforo, potássio e vitaminas do complexo B;

- agricultura familiar: as fecularias nacionais extraem 500 mil toneladas/ano do branco e fino amido de mandioca. Isto poderia ser triplicado com o incremento da cultura do inhame gerando 300 mil empregos no campo, principalmente de mulheres, como ocorre na África;

- alimento popular: o inhame é um alimento tão consumido no nordeste brasileiro, que chega a ser usado como substituto do pão.

Marcos CrivelaroEnvie um email!
Professor - FIAP

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  • Inhame
    Como Nutricionista parabenizo Marcos Crivelaro pelo artigo sobre o "inhame" e o grande potencial que o Brasil tem em usar seus alimentos, sem necessitar eleger a batata inglesa para saciar a fome, um cultivo que exige emprego considerável de "defensivos agrícolas" grandes ameaças à segurança alimentar e nutricional de todos nós brasileiros. Temos a batata-doce, o cará aéreo e subterrâneo, o aipim, araruta e tantos outros. Signorá.
    Signorá Peres Konrad - 13/06/09 12:43

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