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Rastreabilidade: devagar quase parando

04/01/2010

:. Do mesmo autor
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Quando se inicia uma caminhada sem saber qual o rumo que se deseja tomar, ou ainda quando se inicia qualquer programa sem que se tenha um objetivo realmente definido, não se chega a lugar algum e não se obtém nenhum resultado. O que está agora acontecendo com a RASTREABILIDADE no BRASIL?

Vamos ser sintéticos: ESTAGNADA. Estamos em uma situação um tanto embaraçosa, para não dizer complicada. Acredita-se que no momento algo como 4% do rebanho bovino nacional se encontre identificado, o que viria a representar 4.600.000 animais bovinos. Neste andar das coisas, que percentual do rebanho bovino nacional será atingido em 2007?

Mais uma vez, apresentaremos uma desculpa esfarrapada aos nossos clientes e, em especial, aos consumidores brasileiros e internacionais. E desta feita, qual será a desculpa? A realidade dos fatos merece uma análise mais detalhada desta insensatez, que está colocando em xeque todo o complexo pecuário nacional. Nunca houve um critério de ordem técnico-produtivo-econômico que balizasse as ações referentes a identificação de bovinos e bubalinos, quanto mais em relação a RASTREABILIDADE como um todo.

A pecuária nacional é praticada pelo pequeno, médio e grande pecuarista. Em se entendendo que até 2007 todo o rebanho bovino deverá estar identificado, pode-se imaginar o grau de dificuldade que haverá em se implantar tal programa. Os Estados da Federação estão chamando para si a responsabilidade de implantar a identificação animal, erroneamente chamada de Rastreabilidade Animal. Mas louva-se até esta atitude. No entanto um crucial problema irão enfrentar: Falta de Médico(a)s Veterinário(a)s para implantarem tal ação, que pode até ser um Programa de Governo, aos quais lhe compete única e exclusivamente a expedição dos Certificados de Origem e de Conformidade, além da GTA .

Voltando à classificação dos produtores. Se antes de implantar o SISBOV, tivesse havido um bom senso de se consultar todas as Associações de Criadores de Gado de Corte e de Leite, para que delas partissem as sugestões e o apoio institucional, por certo seriam estas entidades que esposariam a implantação de Zonas de Excelência. Por que no BRASIL, antes de se iniciar toda esta confusão, que deverá nos colocar na parte distal da competitividade pelo mercado internacional de carne bovina, não foi promovido um movimento nacional com toda a classe pecuária e seus legítimos representantes, para discutir as formas de se melhor se produzir animais para exportação?

Por que alardear ao mundo todo que até 2007 estaremos com todo o rebanho nacional identificado? Esta posição de arautos do futuro inconseqüente e irresponsável, já começa a dar os primeiros sinais negativos. A identificação animal deverá entrar em um marasmo considerável. Se neste momento estão identificando bovinos e bubalinos com elementos físicos em material plástico, nada confiáveis, como irão fazer com os suínos e as aves?

As notícias vindas do exterior nos informam que em não menos de 3 anos, muitos países que estavam com sérios problemas, resultantes da BSE, estarão com suas produções normalizadas e com um pequeno e importante item: estarão centralizando suas produções para melhor controlarem e administrarem os seus sistemas produtivos. Estas notícias deverão ser incluídas no detalhamento de posições futuras em relação não só a RASTREABILIDADE, mas a todo o complexo ao qual ela está ligada. Já se tem como certo que a Argentina, Uruguai, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, Colômbia e Venezuela, assim como Bolívia e Paraguai, estarão revendo todos os seus sistemas, e não sendo surpresa que passem a adotar o que virá a se denominar "ZONAS de EXCELÊNCIA CRIATÓRIA".

As extensões territoriais são enormes, as dificuldades de deslocamento idem, e a aceitação de uma política identificatória animal é algo que não se viabiliza pela simples edição de uma I.N. A RASTREABILIDADE está quase parando? Ou já parou?

Os avanços tecnológicos que as empresas estão colocando no mercado estão dando uma visão muito clara de que tudo o que até se tem colocado em prática no BRASIL em termos de identificação animal não se coaduna com a real necessidade de atender as exigências do mercado nacional e internacional. Uma pergunta. Existe no BRASIL alguma empresa com capacidade na atividade de "encapsular micro-chips"? Não. Não existe. Outra pergunta. Existe no BRASIL empresas que estão vendendo produtos ultrapassados para identificação animal? Sim. Sim, existe e estão vendendo produtos obsoletos e não confiáveis.

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Romão Miranda VidalEnvie um email!
Médico Veterinário - Autônomo

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