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Sigatoka negra: situação atual em Roraima

17/05/2006

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A Sigatoka negra é atualmente a doença que causa maior impacto negativo na cultura da bananeira, estando presente em todas as regiões brasileiras, com exceção do Nordeste. É causada por um fungo, chamado Mycosphaerella fijiensis, facilmente disperso pelo ar. A doença ocorre no país desde 1998 e foi constatada oficialmente no Estado de Roraima no ano de 2001, no município de Caroebe. Desde então vem causando preocupação aos produtores e setores ligados a defesa vegetal. A Sigatoka negra é importante devido ao seu rápido progresso e aos danos que causa nas folhas da bananeira. Seus sintomas são comumente confundidos com os da Sigatoka amarela, menos agressiva. Contudo, algumas características ajudam a diferenciá-las. Os sintomas da Sigatoka negra se iniciam com estrias paralelas, cor de café, na face inferior das folhas, que em poucos dias se juntam causando queima severa, de coloração fortemente escura. Por afetar folhas ainda jovens, causa grande destruição. Já a amarela, causa manchas visíveis na face superior das folhas, desde o início do seu desenvolvimento e, nas bordas das manchas, é comum ser observado um forte halo amarelo. O que torna a Sigatoka amarela menos agressiva que a negra é que os sintomas começam a aparecer em folhas mais velhas e seu progresso é mais lento. Os técnicos da Embrapa Roraima vêm observando que, no Estado, a Sigatoka negra ainda está restrita aos municípios de Caroebe, São João da Baliza, Rorainópolis e Mucajaí. Isso faz com que alguns cuidados devam ser tomados, visando retardar o avanço da doença. Algumas observações merecem ser levadas em consideração. O fungo pode sobreviver por, pelo menos, 60 dias em folhas de bananeira e tecido de algodão, até 30 dias aderido a papelão, madeira, plástico, pneu, em frutos até o seu apodrecimento e 10 dias em ferro. Isso ajuda o fungo a ser facilmente disseminado, em especial por caminhões, já que é comumente observada a prática de se colocar folhas de bananeira entre os cachos da fruta na ocasião do transporte. O trânsito destes veículos nas rodovias e vicinais, carregando material vegetal contaminado, ajuda a propagar a doença. Outro fator importante, que vem ajudando a Sigatoka negra a se perpetuar nos campos de cultivo, é o abandono de plantios com bananeiras doentes, que se torna uma fonte contínua do fungo. Nestes locais, a melhor maneira de continuar nesta atividade é eliminar as plantas e substituir todo o bananal utilizando variedades resistentes. Em Roraima, o impacto social desta doença poderá ser significativo já que em 31 de maio de 2005, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou a instrução normativa no 17, determinando os procedimentos para implantação e manutenção do sistema de mitigação de risco para a doença em todo o país. Esta normatização determina que os produtores devam adequar seu sistema de cultivo para que possam comercializar a banana para outros Estados, exigindo-se que, além de uma modificação nos tratos culturais e de um monitoramento constante da lavoura, que as pencas passem por um processo de descontaminação antes de serem acondicionadas para o transporte. Apesar de ser um investimento a mais, esta é uma medida que pode proporcionar um ganho tecnológico do sistema produtivo da banana no Estado, já que os plantios deverão ter um acompanhamento contínuo realizado por engenheiros agrônomos para que os produtores obtenham uma certificação fitossanitária de origem e possam comercializar o seu produto.

Bernardo de Almeida Halfeld VieiraEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CPAFRR

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