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Terremotos no Acre

16/11/2005

Muitas têm sido as catástrofes mundo afora. Notícias sobre maremotos, furacões, terremotos, inundações e outros são veiculadas constantemente. Esses fenômenos, quando atingem áreas densamente povoadas, provocam perdas irrecuperáveis em todos os sentidos.

No Brasil, apesar da relativa estabilidade ambiental, atenção tem sido dispensada a essas questões em função dos programas de zoneamento e ordenamento do território que foram ou estão sendo desenvolvidos. Nesses programas são imprescindíveis conhecimentos acerca dos aspectos naturais da paisagem, dos diversos usos que dela faz a sociedade e das relações existentes entre as atividades humanas e paisagem, ou seja, no que e quanto uma coisa afeta a outra. Nesse contexto, é possível e indispensável que órgãos competentes formulem e implementem políticas de planejamento e ordenamento que visem à prevenção, mitigação e até correção dos danos e prejuízos provocados pelas catástrofes.

A Terra não é estática, ela se organiza constantemente, pois é constituída de um mosaico de placas que “flutuam” sobre um material viscoso chamado magma (o mesmo material expelido pelos vulcões). Os limites entre as placas são áreas de grande atividade tectônica e sísmica, resultando em maremotos, terremotos e outros eventos de grande magnitude. No interior das placas, a sismicidade é relativamente mais branda, porque o acúmulo de esforços, que acaba produzindo o terremoto, ocorre de forma mais lenta. O Brasil encontra-se no interior de uma placa, a Placa Sul-Americana, e por isso sempre se acreditou estarmos livres de tais fenômenos. Entretanto, essa suposta estabilidade não é o que se observa. O interior das placas é também constituído por outras miniplacas recortadas por falhas e fraturas, gerando rearranjos e movimentação interna.

Na Amazônia, por exemplo, desde os primeiros relatos de reconhecimento geológico no início do século XX fala-se do fenômeno das “terras caídas” (geralmente nas margens dos grandes rios). Na década de 50, pesquisadores atribuíram o fenômeno à atividade de falhas geológicas (rupturas no terreno). Isso significa que, há muito tempo, pesquisas já indicam movimentação na região.

O Estado do Acre está localizado em uma área dita sismogênica, isto é, com grandes chances de haver terremotos (são conhecidas 27 áreas no Brasil) e apresenta o maior nível de atividade do País em número e em intensidade dos sismos, segundo dados do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo e da Universidade Nacional de Brasília. A Placa Sul-Americana colide a oeste com a Placa de Nazca (no Oceano Pacífico). Essa colisão faz com que esta placa “mergulhe” por baixo daquela, produzindo constantes terremotos, cujos focos vão se aprofundando da costa do Pacífico em direção ao interior do continente. Isso ocorre porque o movimento dessas placas gera uma pressão gigantesca que é aliviada através de falhas e fraturas, causando os abalos sísmicos. Quando os focos dos terremotos são muito profundos, a população dificilmente percebe-os, mas saber se esta profundidade, no Acre, será uma constante é impossível. E, em casos de terremotos mais rasos, os danos irão ocorrer e é preciso conscientizar a população quanto a essa possibilidade, a exemplo dos programas na Califórnia-EUA, na Turquia e no Japão.

Muito embora os terremotos no Acre não sejam catastróficos, citamos vários episódios em que casas foram sacudidas e até mesmo danificadas, além de presenciarmos o citado fenômeno das “terras caídas” nas margens dos principais rios, trazendo danos e desabrigando as populações que vivem nesses locais, como os que ocorreram em 5/5/1989 e em 4/11/2000. Recentemente um sismo de 7,5 na escala Richter (essa escala varia de 0 a 9 graus e mede a energia liberada pelos sismos) ocorreu no Peru em 26/9 deste ano. Esse sismo foi sentido em Cruzeiro do Sul. Freqüentadores da Expo-Juruá, evento que ocorre naquela região, sentiram a terra tremer. Em Manaus, o mesmo sismo fez a estrutura de alguns edifícios racharem e causou certo pânico.

Pelo exposto vê-se que é preciso investigar regiões intraplacas com maior detalhe. Estudos conduzidos pela Embrapa Acre e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no âmbito do Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado do Acre em sua segunda fase, darão o primeiro passo nesse sentido. O mapa de geologia conterá as principais estruturas geológicas do Estado (falhas, fraturas, etc.). Trata-se de uma iniciativa importante que suscita, em curto prazo, maiores investimentos para que as investigações incluam maior grau de detalhamento dos aspectos acima discutidos e geração de mapas de risco.

Luciana Mendes CavalcanteEnvie um email!
Pesquisadora - EMBRAPA/CPAFAC

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:. COMENTÁRIOS
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  • @@@@@@@@@@@@@
    obriga seus artigos sao bem legais,vcs me ajudaram muito
    vick - 30/04/06 10:49

  • ...........
    obrigado voces me ajudaram muito no trabalho da escola
    victoria - 25/04/06 14:29

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