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Três palavras

03/07/2002

:. Do mesmo autor
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John Landers e Lucien Séguy são europeus. Um nasceu na Inglaterra e o outro na França. Desnecessário, como evidenciam os nomes, identificar quem é o britânico e quem é o francês. Em comum, além da origem européia: ambos trabalham no Brasil e são entusiastas do Sistema Plantio Direto na Palha. John é bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, e secretário executivo da Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC). Lucien é pesquisador de uma organização científica francesa especializada em agronomia tropical, o CIRAD (Centro de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pou le Développment) e coordenador da Rede Plantio Direto. Cito esses nomes somente porque me chamou atenção o posicionamento que externaram como debatedores no painel sobre “Impacto ambiental e sustentabilidade no Sistema Plantio Direto”, realizado como parte da programação do 8° ENCONTRO NACIONAL DE PLANTIO DIRETO NA PALHA, Águas de Lindóia, SP, 17 a 21 de junho de 2002.

Falando primeiro, John Landers destacou a necessidade de vender a imagem do Sistema Plantio Direto à sociedade. Fez questão de salientar que, na visão dele, Plantio Direto não passa de seis palavras: “Palha, Palha, Palha e Rotação, Rotação, Rotação”. Na seqüência, Lucien Séguy disse que concordava com Jonh Landers, mas acrescentaria outras três palavrinhas, e mandou ver: “Palha, Palha, Palha, Raiz, Raiz, Raiz e Rotação, Rotação, Rotação”. Quem prestar atenção percebe que não são seis e nem nove palavras, mas apenas três, e repetidas três vezes cada. Embora possa parecer conversa de louco, na verdade não é. Os dois apenas tentaram simplificar ao extremo a essência desse sistema de exploração agropecuária. Eles têm consciência que é muito mais que isso, mas fizeram questão de destacar uma condição mínima e necessária para a viabilização do Sistema Plantio Direto.

O Sistema Plantio Direto na Palha (SPD) é o preferido pela maioria dos estudiosos em agricultura conservacionista no mundo. Mas, como tudo na vida, há quem não concorde totalmente com isso. Tem adeptos de algumas correntes ambientalistas que não aceitam o SPD, nos moldes que é praticado, e se apegam ao fato de ser esse um sistema embasado em tecnologias de ponta que, sob determinados aspectos, pode ser excludente de certos grupos de agricultores. E citam: uso de herbicidas, produtos de biotecnologia (organismos geneticamente modificados, por exemplo),

agricultura de precisão etc. De qualquer forma, a partir do advento do SPD na Palha, no qual, sem qualquer dúvida, o Brasil é uma referência para o mundo, são inquestionáveis os benefícios para a sociedade, e de modo particular no quesito ambiente.

Para quem gosta de números, em estudo que realizaram sobre os impactos econômicos do SPD na Palha no Brasil, John Landers e colaboradores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz/Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), mesmo usando índices conservadores, chegaram a um valor positivo de R$ 69,00 por hectare e por ano (US$ 29/ha/ano). Em termos totais, considerando uma área de pouco mais de um terço daquela que é usada para a produção de grãos no Brasil, obtiveram um impacto positivo da ordem de 1,4 bilhão de US$ dólares por ano; comparativamente ao sistema de agricultura convencional. Entraram no cálculo, além dos acréscimos de rendimento, melhor aproveitamento da mão-de-obra, benefícios econômicos advindos do menor consumo de combustíveis fósseis, maior eficiência no uso da água, maior durabilidade dos reservatórios hídricos, menores gastos na conservação de estradas e em tratamentos de água para abastecimento urbano, além de créditos para o seqüestro de Carbono, entre outros.

No Brasil ainda há espaço para o crescimento do SPD na Palha. Hoje, estima-se que, nesse sistema, sejam usadas entre 14 e 17 milhões de hectares. Mesmo parecendo bastante, em termos mundiais, não passa de pouco mais de um terço da nossa área agrícola. A tendência é crescer, pois sob vários aspectos - controle de erosão, economia de mão-de-obra, menor uso de máquinas, menor consumo de combustíveis, maiores níveis de rendimento etc. - o SPD tem se mostrado superior aos outros sistemas agrícolas.

Gilberto R. CunhaEnvie um email!
Pesquisador - EMBRAPA/CNPT

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  • PD e meio ambiente
    Gilberto, Sua menção das minhas pavras sobre a imagem do PD me engatilhou. Acabamos de lançar uma campanha "Pró-Ambiente, Pró-Produtor" - queria seu e-mail para enviar uma cópia. Obrigado pela sua reportagem, tanto perspicaz quanto elogiativo, John N. landers OBE.
    John Landers - 15/12/07 21:41

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